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Reginaldo Leme
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A superação de cada dia

Pegar uma sequência de corridas de Stock Car e Fórmula-1, como a que estou vivendo agora, dá trabalho, mas está entre as coisas que mais gosto na vida. Chegou a vez de Cingapura e, antes de enfrentar essa corrida cheia de detalhes difíceis de serem interpretados, vivi esta semana um feliz momento de constatação de que fazer bem aquilo que se gosta de fazer independe da idade. O exemplo de Bruce Springsteen, um ídolo acima de qualquer suspeita, que faz 64 anos nesta segunda-feira, é uma das lições que essa admiração pela música me trouxe ao longo da vida. Tenho outros grandes ídolos roqueiros, todos competentes, mas tocar e cantar com tanto prazer é coisa só para Springsteen e Paul McCartney.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2013 | 02h03

Aliás, é sempre comum nesses shows pessoas me fazerem perguntas sobre F-1. Desta vez um rapaz foi direto ao assunto: "Piquet ou Senna?" Como não era o momento adequado e o caso merece longa explicação, fiquei devendo a resposta. Achei engraçado o amigo dele me confidenciar que "esse cara passou a vida nesse dilema". Bem, aí é mais grave e acho que não serei eu a desfazer o tal dilema. Mas o episódio mostra a importância da F-1 na cultura do brasileiro. É por tudo isso que ainda acredito que teremos, sim, piloto brasileiro disputando o Mundial de 2014. E podem ser dois. Um Felipe e um Luis Felipe. Massa é um nome forte na Lotus, assim como é o do alemão Nico Hulkenberg. A negociação depende da habilidade do seu empresário Nicolas Todt. Luis Felipe Nasr tem ótimas chances na Toro Rosso, Force India e mais uma ainda mantida em segredo por seu empresário Steve Robertson, o mesmo que negociou a contratação de Kimi Raikkonen pela Ferrari. Novas rodadas de negociações estão em curso agora em Cingapura.

Este GP é aquele que marcou a virada de Vettel rumo ao título no ano passado. Lewis Hamilton, com a McLaren em franca ascensão, tinha vencido na Hungria e Itália, enquanto a Red Bull vivia o inferno astral de ver seus dois carros quebrarem em Monza. Alonso liderava com 179 pontos contra 142 de Hamilton, 141 de Raikkonen e 140 de Vettel. O alemão estava apenas em quarto e já acumulava nove corridas sem vitória. A aposta era Hamilton, que ainda fez a pole mais fácil do ano, 6/10 de segundo mais veloz do que Vettel. Mas o destino tinha um roteiro diferente para aquele final da temporada. Hamilton liderou 22 voltas até quebrar o câmbio da McLaren. Vettel herdou a posição e conquistou aquela que, na época, era apenas a segunda vitória dele no ano. Alonso até saiu satisfeito com o terceiro lugar, mas não tinha ideia de que ali começava mais uma história de sonho não alcançado. Vettel ganharia aquela e as outras três seguintes.

Com cinco pódios seguidos, Alonso ainda levou a decisão até a última corrida, o que hoje só se repetiria por milagre. Vettel já tem seis vitórias e está 53 pontos à frente. Uma vantagem tão folgada que nem precisa mais vencer corrida alguma para alcançar o título. Na hipótese absolutamente improvável de Alonso vencer todas as sete corridas finais, Vettel pode continuar tranquilo, só pensando em chegar ao pódio. Mas a cada corrida que Alonso não vencer, a coisa vai ficando mais fácil. Basta ver que até agora Vettel liderou 333 voltas no campeonato e Alonso, 89. A novidade desse ano vem da Pirelli, que escolheu os pneus supermacio (vermelho) e médio (branco). Em 2012, a corrida teve o supermacio e o macio. Este é o GP mais longo do ano (sempre beirando as 2 horas de duração), portanto os carros levam o máximo de combustível possível e, como a extensão do pit lane é de 404 metros, a operação de pit stop também é a mais demorada.

Brasileiros no mundo. Bruno Senna volta a correr no Circuito das Américas, no Texas, onde marcou seu último ponto na F-1 em 2012, disputando a quinta etapa do Mundial de Endurance em dupla com o francês Fred Makowiecki. Na Alemanha, o gaúcho Cesar Ramos defende a liderança da Blancpain Endurance Series dividindo uma Ferrari 458 com os italianos Davide Rigon e Daniele Zampieri nos 1000 Quilômetros de Nurburgring. Na DTM, o mais importante campeonato de carros de turismo do mundo, o paranaense Augusto Farfus é o único com chance de brigar pelo título com Mike Rockenfeller nas duas últimas provas do campeonato - Zandvoort e Hockenheim.

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