A superação de Jorginho na Itália

Catarinense de 21 anos foi embora do Brasil aos 15, passou dificuldades e hoje faz sucesso jogando pelo Verona

LUÍS AUGUSTO MONACO, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2013 | 02h04

Jorginho é um daqueles brasileiros que vão embora para a Europa ainda adolescentes em busca de fama e fortuna no futebol e são enganados pelo empresário, que no seu caso era um italiano bom de lábia que lhe prometia mundos e fundos e garantia aos seus pais que cuidaria dele como se fosse seu filho. Ele viveu à míngua durante quase dois anos, morando no quarto de um seminário e se virando com os 20 (R$ 52) por semana que recebia do homem que o levou para a Itália, e muitas vezes chorou e pensou em voltar para Imbituba, em Santa Catarina, mas deu a volta por cima e hoje tem o seu talento reconhecido na Itália e em outros países europeus,

Ele completou 21 anos em dezembro, recebe 10 mil (R$ 27 mil) por mês no Verona (que disputa a Série B), é cobiçado por grandes clubes e tem chance de jogar no meio-campo da Itália no Europeu Sub-21 em junho.

Antes de entrar na aventura europeia de Jorginho é preciso recuar oito anos no tempo. O sonho de se tornar um jogador o levou a se inscrever num projeto em Brusque que era dirigido pelo empresário italiano Alessandro Blasi. Ficou lá dois anos, dos 13 aos 15, e foi selecionado para fazer testes na Itália.

Acompanhado por Alessandro, desembarcou no país em novembro de 2007. E dois meses depois foi aprovado no Verona, o primeiro clube em que fez teste. Imaginou que em pouco tempo poderia começar a mandar um dinheirinho para a família, mas esse dia demorou a chegar.

Treinando no time juvenil, ele não recebia nada do clube. E tinha de fazer mágica para sobreviver com os 20 por semana que recebia de Alessandro. Ele explica como administrava o dinheiro: "Gastava 6 para comprar um cartão internacional de telefone, colocava 5 de crédito, usava uns 4 ou 5 comprando sabonete, pasta de dente, essas coisas, e com o que sobrava eu ia numa lan house no fim de semana para me comunicar pela internet com a família (pais divorciados e uma irmã mais velha)."

Sua situação começou a melhorar no fim de 2009, quando passou a treinar com o time principal e se tornou muito amigo de outro brasileiro: o goleiro Rafael, que foi formado na base do Santos e fez algumas partidas na equipe de cima entre 2002 e 2004. Intrigado com o fato de Jorginho não ter contrato assinado, ele pediu para seu agente, João Santos, tentar se informar sobre o assunto. E o que ele descobriu foi um choque para o garoto. Alessandro Blasi, que havia cobrado 35 mil (R$ 91 mil em valores de hoje) do Verona para colocá-lo no juvenil no início de 2008, exigia mais dinheiro do clube para deixá-lo assinar contrato. Como a diretoria não concordava em molhar a sua mão, Jorginho pagava o pato. "Quando soube daquilo achei que meu sonho tinha acabado e que eu teria de voltar para o Brasil."

Na Quarta Divisão. Mas não acabou. Jorginho rompeu com o empresário, passou a ser representado pelo de Rafael e logo assinou um contrato pelo valor mínimo obrigatório na Série B italiana: 1,2 mil (R$ 3,1 mil) por mês. Na temporada 2010/2011 ele foi emprestado para a Sanbonifacese, equipe da Quarta Divisão. Ralou em campos ruins e pequenos, mas teve a chance de disputar 31 partidas.

Voltou ao Verona e no começo ficou no banco, porque o técnico Andrea Mandorlini (ex-jogador da Inter na década de 80) não o conhecia. Mas isso durou pouco tempo, e logo ele virou titular. Hoje é considerado o principal jogador do time e o melhor meio-campista da Série B. E pensa a cada dia que foi muito bom não ter desistido quando o futuro parecia sombrio.

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