A taça das bolinhas é do Santos!

Coluna não é matéria. Por isso, gosto de fazer narrativas ao escrever aqui. Mas dessa vez não. Vamos direto ao assunto. Acertou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ao reconhecer as conquistas da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa como legítimos títulos brasileiros. O anúncio, ao que tudo indica, será feito na próxima semana. Mas cá entre nós, já é certo que acontecerá. Afinal de contas, entendo que o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, não correria o risco de assumir o gigantesco desgaste que representaria tirar esse doce da boca de milhões de torcedores. E se Teixeira vazou a informação de propósito, para testar a reação da opinião pública, já percebeu que foi positiva.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

Por que acertou? Bom, reconheço que não tinha opinião formada sobre o tema até poucos dias atrás. E quando isso acontece, recorro a registros antigos e, sobretudo, a relatos de pessoas que viveram aquele momento.

Ouvi de tudo. Do lado daqueles que defendem a medida, o argumento passa pelo fato de fazer justiça a craques como Pelé, Pepe, Tostão, Jairzinho, entre tantos outros, que não carregavam no currículo um título nacional. Do lado contrário, o discurso é de que o formato da Taça Brasil, realizada em sistema de mata-mata, a assemelharia mais à Copa do Brasil do que ao Campeonato Brasileiro. Ou o fato de o campeão disputar apenas quatro jogos, uma vez que paulistas e cariocas entravam direto na semifinal.

Depois de analisar, cheguei à conclusão de que cada um dos argumentos é importante e tem sua relevância. Porém, nenhum deles é suficientemente forte para definir uma opinião.

Caros, o centro da questão não é o currículo desses craques ou o sistema de disputa dessa ou daquela competição. O que vale, nesse caso, é a representatividade que esses campeonatos tinham na época. E, acima de tudo, o sentimento que eles despertavam.

É nesse ponto que formei minha opinião. Quem vencia a Taça Brasil ou o Robertão sentia-se campeão brasileiro e era considerado como tal. Mais do que isso. Aqueles que eram batidos sentiam a dor de quem perdia um título nacional. Respeito os argumentos técnicos e racionais. Mas me desculpem, nesse caso a decisão é legitimada pelo sentimento. Portanto, parabéns aos octocampeões Palmeiras e Santos, ao tricampeão Fluminense e aos bicampeões Botafogo, Bahia e Cruzeiro.

Fim da polêmica? Considerações feitas, vamos às consequências do reconhecimento de títulos. Uma das principais delas é o fim da polêmica em relação ao destino da Taça das Bolinhas. E não é o Morumbi, muito menos a Gávea. O primeiro pentacampeão brasileiro, agora, passa a ser o Santos (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965).

TROCA DE PASSES

"É verdade que o Adriano causa muitos problemas, mas ouço muitos dirigentes dizerem que ele resolve, pois também faz muitos gols. Ou seja, aprovam o custo-benefício desse jogador"

MIGUEL MÁRCIO DOS REIS RIO DE JANEIRO-RJ

Nota da coluna: Caro Miguel, duro é ver dirigentes reclamarem que jogador é irresponsável, não tem compromisso com o clube e, em seguida, oferecer Deus e o mundo para contratar atleta problemático. Ou seja, se o cara faz gol, vale tudo, até mesmo ignorar a coerência.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.