A tenaz Rosicléia lutou para feminino ter estrutura melhor

Técnica diz ter brigado muito para que as condições fossem iguais às do masculino. 'E isso é feito hoje', comemora

LONDRES, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2012 | 03h06

"Quando eu era atleta, faltava tudo. Tudo mesmo para treinar. O judô não era visto como esporte para mulher, mas graças a Deus e a muito trabalho, tudo isso mudou." Foi desta forma que Rosicléia Campos, técnica da equipe feminina de judô, desabafou após a conquista da medalha de bronze de Mayra Aguiar (foto) ontem nos Jogos Olímpicos de Londres, na Excel Arena.

"Os homens tinham toda a estrutura e nós nada. Briguei com presidente, com diretor técnico, para que tivéssemos condições semelhantes. Não há comparação ou disputa, apenas queria ter as mesmas oportunidades. E isso é feito hoje."

Rosicléia lembra que o ponto inicial para o desenvolvimento do judô feminino foi no fim de 2006, quando o time masculino foi treinar na Europa e o feminino se concentrou em Cuenca, no Equador. "Ficamos em um hotel muito ruim. Mas não reclamamos, pois Cuba também estava lá. Tudo que Cuba fazia a gente copiava. Elas subiam morro para pagar promessa para uma santa e a gente ia junto."

No Pan do Rio, em 2007, o primeiro grande resultado. "Conquistamos sete medalhas e superamos Cuba. Esse foi nosso primeiro objetivo. Ser a melhor equipe da América Latina."

Depois veio a primeira medalha olímpica em Pequim há quatro anos, com Ketleyn Quadros. "Ainda levamos a Sarah e a Mayra. Elas não conseguiram o pódio, mas ganharam a experiência necessária para chegar agora aqui e ter o sucesso que plantamos", contou.

Rosicléia também lembrou das medalhas conquistadas nos Mundiais de Tóquio, em 2010, e Paris, em 2011. "Não tem segredo. Sabíamos que a partir do momento em que o apoio de patrocinadores ajudasse a dar condições melhores para as atletas treinarem, os resultados apareceriam."

Edinanci. Tanto Rosicléia como as atletas sempre lembram de Edinanci Silva, que obteve grandes conquistas em um período que o judô feminino não tinha o apoio desejado. "Ela é uma referência para todas nós. Sempre é lembrada pela gente em viagens, treinos e competições", disse Mayra Aguiar.

Edinanci participou de quatro olimpíadas (1996, Atlanta; 2000, Sidney; 2004, Atenas; e 2008, Pequim), sendo quinta colocada em Pequim. Obteve duas medalhas de bronze em Mundiais (1997 e 2003) e bicampeã pan-americana (2003 e 2007). / W.B.Jr.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.