A última batalha

Amanhã a Fórmula 1 conhecerá um novo tricampeão mundial. Até hoje apenas oito pilotos conquistaram três ou mais títulos. O australiano Jack Brabham, o escocês Jackie Stewart, o austríaco Niki Lauda e os brasileiros Nelson Piquet e Ayrton Senna são os tricampeões. O francês Alain Prost ganhou quatro títulos. O argentino Juan Manuel Fangio, cinco. E o alemão Michael Schumacher, sete. Agora a disputa é entre o alemão Sebastian Vettel e o espanhol Fernando Alonso.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h05

A decisão do título em Interlagos, o que acontece pela sexta vez em nove anos desde que a corrida brasileira passou a ser uma das últimas da temporada, torna esta semana especial. Mas nada, para mim, supera a oportunidade de uma entrevista exclusiva de meia hora que fiz com Fernando Alonso, personagem polêmico e piloto extraordinário, avesso a entrevistas, bajulações, do tipo que fala o que pensa, mas só quando quer falar. Para minha sorte, ele queria. Sentiu-se à vontade por saber que eu conhecia a história da F1 e da própria carreira dele desde as categorias de acesso e falou até mais do que eu esperava ouvir. Não é comum um piloto fazer comparações entre os rivais, e muito menos criticá-los. Mas Alonso não é de meias palavras e deixou claro que tem o maior respeito por Hamilton, mas nem tanto por Vettel: "O Hamilton é um piloto que, mesmo quando não tem o melhor carro, pode ganhar ou chegar muito perto, o Vettel não consegue isso''.

Se é por menos talento, como sugere Alonso, não dá pra ter certeza, mas é visível que o entusiasmo de Vettel quando o carro não está tão bem não é o mesmo. Eu também vi isso até mesmo em Hamilton este ano quando ele bateu com Maldonado em Valência e saiu dizendo que "não tinha muito a perder com a quarta ou quinta posições''. Com Alonso isso não existe. Ele briga até o fim mesmo que seja pra conquistar um ponto.

A história de rivalidade entre Alonso e Hamilton é conhecida de todos. Em 2007, o espanhol deixou a Renault para dividir a McLaren com o estreante Hamilton, inglês que era cria da equipe inglesa desde os 11 anos de idade. Achou que, como bicampeão mundial, teria a preferência na luta pelo título mundial. Não foi o que aconteceu e, por não temer nada, resolveu enfrentar Ron Dennis com chantagens que acabaram revelando um caso de roubo de informações confidenciais da Ferrari por um funcionário da McLaren. O caso acabou em multa de 100 milhões de dólares para a McLaren, que perdeu todos os pontos conquistados no campeonato de construtores. No final daquele ano, de fato, Hamilton acabou perdendo o título e não escondeu de ninguém um sorriso que os jornais espanhóis interpretaram como digno da manchete "derrota saborosa''. Alonso riu quando perguntei isso a ele, mas emendou que sua torcida foi sempre contra a McLaren e nunca contra Hamilton

Os elogios de Alonso a Hamilton têm chegado aos ouvidos de Vettel. E soam como uma tentativa de abatê-lo emocionalmente. Desta vez, o alemão reagiu duvidando: "Nunca vi um sujeito ganhar corrida com um carro realmente ruim''. O duelo de Interlagos promete. E, provavelmente, debaixo de uma chuva que torna o resultado ainda menos previsível.

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