A vez de Iniesta assombrar o Brasil

Desde o dia 11 de julho de 2010, Andrés Iniesta é aplaudido em todos os estádios em que pisa na Espanha. Ao mandar para as redes a bola que daria o título mundial na vitória por 1 a 0 sobre a Holanda na Copa da África, o meia eternizou seu nome no hall dos imortais do futebol e deu o retoque final a uma geração que transformou a Espanha em uma devoradora de títulos. E é sobre os pés do camisa 6 que pairam as maiores esperanças dos espanhóis arrematarem a última conquista que falta: a Copa das Confederações.

FERNANDO FARO / RIO , ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2013 | 02h09

Iniesta sabe bem o que é ter de superar barreiras aparentemente intransponíveis. Começou já na infância modesta na pequena Fuentealbilla, no sul da Espanha. O garoto pequenino nascido em 11 de maio de 1984 demonstrava habilidade incomum nas quadras de futsal e chamou atenção do Albacete, que o contratou quando ele tinha apenas dez anos. Duas temporadas depois, o gigante Barcelona se encantou com seu talento e resolveu investir no menino que apresentava domínio de bola e visão de jogo incomuns para sua idade.

Uma vez na Catalunha, superou sem maiores dificuldades o mito de que o jogador moderno precisa ser alto e forte para aguentar os muitos choques que o esporte, cada vez mais exigente na questão física, requeria.

Em 2002, aos 18 anos, estreou pela equipe profissional na vitória sobre o Brugge pela Copa dos Campeões e causou ótima impressão ao técnico Louis Van Gaal. Mas foi com Frank Rijkaard que Iniesta passou a ganhar espaço e virou figura frequente na equipe. Ele foi uma das principais peças na conquista da Liga Espanhola de 2004/2005.

No ano seguinte, a explosão: ao lado de Ronaldinho Gaúcho, encantou o mundo e ajudou o Barcelona voltar a vencer a Copa dos Campeões em final dramática contra o Arsenal. Daí em diante não parou mais de evoluir e atingiu seu ápice sob o comando de Pep Guardiola.

Fora de campo, Iniesta preza pela discrição e quase nunca é visto estampando manchetes dos jornais. Casado com Anna Ortiz, foge das badalações e polêmicas quase sempre associadas aos grandes jogadores. Iniesta resolveu adotar o time que o lançou e virou acionista majoritário do Albacete. Recentemente ele tirou cerca de R$700 mil para saldar as dívidas do clube e impedir a queda da terceira para a quarta divisão.

Mas a trajetória não estaria completa se o sucesso não chegasse também com a camisa vermelha da seleção. E a consagração começou em 2008 com o primeiro título europeu e o início da dinastia atual. Quatro anos mais tarde, já reconhecido como um dos principais jogadores do mundo, foi eleito o craque da Eurocopa na campanha do bi. No meio das duas conquistas, o tão sonhado título mundial. "Ele é um dos nossos talentos. Tem enorme noção do jogo coletivo, mas é capaz de realizar grandes coisas individuais e isso o torna um jogador diferente", elogia o técnico Vicente del Bosque.

Hoje, enfim, os espanhóis terão o aguardado encontro com os brasileiros num dos mais cultuados templos do futebol. "É uma possibilidade que temos e vamos lutar para conquistar o título", disse Iniesta, que paradoxalmente é o melhor da equipe no torneio, mas ainda não marcou e deu só uma assistência. Pelos obstáculos que venceu desde os tempos de Fuentealbilla, derrubar mais essa escrita não parece problema.

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