Jonne Roriz/AE
Jonne Roriz/AE

A vez de Usain Bolt nos Jogos Olímpicos de Londres

As expectativas do carismático velocista jamaicano, que será porta-bandeira de seu país

Amanda Romanelli, Wilson Baldini Jr. e Paulo Favero - Enviados especiais, O Estado de S. Paulo

27 de julho de 2012 | 06h08

LONDRES - Usain Bolt é sempre uma festa – seja na pista de atletismo, seja em uma coletiva de imprensa com quase 500 jornalistas de todo mundo. O carismático jamaicano, três vezes campeão olímpico em Pequim-2008 (100 m, 200 m e 4 x 100 m), demorou quase 40 minutos para entrar em cena, em sua primeira aparição em Londres. Na entrevista, deixou o ex-recordista mundial Asafa Powell completamente à sombra, fez piadas e afirmou: "Quero medalhas de ouro."

Mas Bolt também teve de dar várias explicações sobre suas condições físicas. As suspeitas de que algo não ia bem surgiram quando o velocista perdeu os 100 m e os 200 m da seletiva jamaicana para o jovem Yohan Blake, campeão mundial da distância mais curta. As dúvidas continuaram depois que a delegação do país foi treinar na cidade de Birmingham, antes de chegar em Londres, e o midiático Bolt não apareceu diante das câmeras.

O velocista contou que sofreu com dores nas costas, mas que está curado. "Estou bem e estou feliz", afirmou. "E não há nenhum mistério. Eu não apareci treinando porque é uma determinação do meu técnico (Glen Mills). Ele não gosta de câmeras."

Bolt, ao contrário, adora os holofotes. Ontem, foi anunciado como porta-bandeira da Jamaica na cerimônia de abertura dos Jogos, na noite de hoje. "É mais uma chance de aparecer na TV", disse o corredor brincalhão, antes de fazer juras de amor ao seu país. "É uma grande honra. Eu faço qualquer coisa para o meu país, que eu amo tanto. Quero que a festa chegue logo."

DESDE PEQUIM

Bolt afirmou que nada mudou na sua carreira desde que se tornou tricampeão olímpico. "Na verdade, os meus objetivos ainda são os mesmos: eu quero ganhar. Em Pequim, queria fazer aquilo que era necessário para vencer. Fiz, e aqui quero fazer o mesmo."

Mas houve uma pequena diferença nos últimos quatro anos: um adversário em potencial surgiu para retirá-lo do topo. Yohan Blake sucedeu Bolt como campeão mundial dos 100 metros, após o velocista ter sido eliminado da prova com uma largada falsa. Depois, vieram as derrotas na seletivas.

Bolt admite que não se sente mais imbatível, embora ainda tenha como desejo se tornar uma "lenda". Acredita que isso acontecerá, se repetir o triplo ouro em Londres, e que perder na Olimpíada seria uma "grande decepção". "Eu ficaria muito desapontado de não ganhar. É para isso que venho trabalhando nos últimos dois anos. Mentalmente, sou uma pessoa muito forte, não me importo para o que os outros dizem. Tenho de lembrar que é o ouro que eu quero."

O velocista admite, porém, que a Olimpíada de Londres deve ter os 100 metros mais rápidos da história. Seis atletas correram, neste ano, abaixo dos 9s90: Blake, o líder, tem 9s75; Bolt vem em seguida, com 9s76. Depois, estão o americano Justin Gatlin (9s80), o trinitino Keston Bledman (9s86) e Tyson Gay (9s86).

"Os caras estão correndo muito bem nesta temporada", comentou o campeão jamaicano. Sobre Blake, diz que nada mudou. Os dois treinam juntos na Jamaica e se consideram amigos. "E assim continuaremos. Somos amigos, passamos o dia inteiro juntos. Treinamos saídas, corridas, bloco. Não adiantaria treinarmos separados, porque nos conhecemos desde sempre."

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