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Antero Greco
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A vez do centroavante

O Majestoso marcado para a tarde deste domingo no Morumbi não terá o duelo de artilheiros, porque apenas um estará em campo. O São Paulo fica, de novo, sem Pato (7 gols), por estar vinculado ao Corinthians. Em compensação, o adversário escala Jadson (6 gols), que já teve ligação com os tricolores e atravessa bom período.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2015 | 02h01

Mesmo sem o encontro entre os definidores, o clássico trará oportunidade para centroavantes serem destaque. No lado da turma da casa, Luís Fabiano poderá atuar por força de efeito suspensivo, que o livra por enquanto de cumprir pena de mais uma partida imposta pelo tribunal esportivo. Os corintianos apostam no jovem Luciano, que retornou do Pan e mandou Vagner Love para o banco.

A responsabilidade de ambos é grande para manter os respectivos times na corrida pelo título da competição. O peso maior recai sobre Luís Fabiano, perto de completar 35 anos e sob constante vigilância e cobrança de torcedores. A temporada para ele não é das melhores, e entre uma expulsão e outra perambula também de titular para a reserva. Por pouco não deixou o clube antes do final do contrato, já que havia oferta para se transferir para o Cruz Azul, do México.

Há no clube quem defendia a liberação, por considerar que ele já deu o que poderia dar. A oscilação, de humor e desempenho, também depõe contra. Luís Fabiano virou grande incógnita. Tão grande que pode até decidir o jogo.

Luciano, 22 anos, vive situação oposta. No início da temporada era visto como opção da opção para o lugar de Guerrero, porque a esperança recaía sobre Vagner Love, repatriado do futebol chinês, rodado, experiente, etc e tal.

Meio ano depois, ele é quem se transformou na alternativa e Luciano se viu eleito como sucessor de Guerrero. Sem, porém, as mesmas cobranças que pesavam sobre os ombros de Love. A leveza pode pender para Luciano de maneira benéfica. Se não der certo, Tite sempre tem à mão o talento de Danilo, talismã dos clássicos, sobretudo quando topa com o São Paulo.

O risco é tricolor. Com 27 pontos, vê o Galo (35) com vantagem preocupante. O Corinthians tem 33, diferença que pode ficar exígua, desde que vença. O contrário complica tudo, porque derrota representará nove pontos à frente bem perto da virada de turno. Essa hipótese força Juan Carlos Osorio a colocar o time mais à frente, com a abertura para os rivais recorrerem à especialidade deles: os contragolpes. O colombiano tem de expor-se, não há como.

Resumo da ópera: o clássico não sairá barato para ninguém, porque até o empate pode ser lamentado pelos dois lados. Estímulo para que corram. Bom.

Os palestras. Cruzeiro e Palmeiras dirão logo mais, no Mineirão, o que de fato pretendem no Brasileiro daqui em diante. O bicampeão nacional até agora não escolheu se sobe ou se fará hora extra até dezembro. Ficou tão desfigurado em relação ao biênio anterior que agora, com 18 pontos, flerta até encostar na turma de baixo. Luxemburgo deu sinais de que jogou a toalha e pede tempo para montar o time para... 2016.

O Palmeiras emendou uma quinta marcha, desde a chegada de Marcelo Oliveira, mas na semana passada travou o câmbio ao perder, no Parque, para o Atlético-PR (1 a 0). Dá de cara com a bifurcação: ou retoma a estrada do sucesso - e isso significa atropelar a Raposa - ou logo lutará contra o fantasma de comportar-se como coadjuvante. O treinador sinaliza com "cautela" em BH. O que não significa, necessariamente, retranca brava. Tomara, mas nunca se sabe...

Adoniran. Leitores gostaram da adaptação de trechos de músicas do admirável sambista a episódios do futebol brasileiro feita na crônica de sexta-feira. Luiz Calhau, por exemplo, sugeriu o "Samba do Arnesto" para a resposta que o presidente da CBF daria ao convite para ir à assembleia extraordinária da Fifa na Suíça. "Da outra vez, nóis não vai mais. Nóis não semos tatu." É, faz sentido.

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