A vitória do talento

Entre a fria primeira mensagem de rádio - "Sebastian, você venceu a corrida" - e a explosão do "você é o novo campeão do mundo", houve um silêncio que Vettel sentiu como se fosse uma eternidade. A primeira frase da insuperável "We are the champions", permaneceu presa na garganta de Christian Horner e os rapazes da Red Bull por mais 43,7 segundos, até a passagem de Alonso em 7.º lugar. A seguir foram as frases choradas de Vettel, que ele mesmo definiu como "parecendo o choro de uma menininha" e a festa no box ao som já não mais apenas do Queen e Fred Mercury, mas também de Tina Turner com a sua "You are simple the best".

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

Vettel foi simplesmente o melhor do campeonato mais disputado desde 1986. Ele somou 5 vitórias, chegou duas vezes em segundo, três em terceiro, três em quarto, nenhuma em quinto, uma em sexto e uma em sétimo. Liderou 382 voltas. Não marcou ponto na Austrália, Turquia, Bélgica e Coréia. Errou feio na Turquia (bateu no companheiro Webber), Inglaterra (tocou em Hamilton na primeira curva) e Bélgica (rodou sozinho e tirou Button). Na Coreia, sofreu quebra de motor quando estava ganhando. Naquele momento parecia estar se despedindo do título.

Alonso ganhou tanto quanto Vettel (5 vezes). Empatou também em número de 2.º, 3.º, 5.º, 6.º e 7.º lugares. Chegou duas vezes em oitavo. E o que fez a diferença foi um quarto lugar a menos. Deixou de marcar apenas três vezes (Malásia, Inglaterra e Bélgica). Liderou bem menos - 126 voltas.

Cometeu mais erros do que o habitual em sua carreira, mas teve um segundo semestre muito bom - 151 pontos contra 135 de Vettel, 114 de Webber e 113 de Hamilton. Na última corrida do ano Alonso superou a marca de 798,5 pontos de Alain Prost tornando-se o segundo maior pontuador da F-1 (804). Muito pouco para servir de consolo diante da maior derrota de sua carreira.

Webber foi o mais regular. Só não marcou ponto em duas corridas (uma pelo acidente em Valência, no qual teve pouca culpa, e outra, quando bateu sozinho na Coreia). Liderou 317 voltas. Venceu quatro vezes e foi ao pódio quatro vezes em segundo e duas em terceiro. Seus outros resultados: um quinto, dois sextos, três oitavos e um nono. Os três fizeram 10 pódios cada um.

A Red Bull (9 vitórias, 4 dobradinhas, 15 poles, 498 pontos, campeã de construtores e de pilotos) é a grande vencedora. A Ferrari, a grande derrotada. Decepcionou milhões de torcedores no mundo, quando, ainda em julho, 11.ª etapa do Mundial, inverteu as posições de seus pilotos através de uma ordem ouvida via rádio de Felipe Massa pelo mundo inteiro. Levou US$ 100 mil de multa e, nem assim, ganhou o título que queria ver nas mãos de Alonso.

No Campeonato Mundial de Construtores, ficou 102 pontos atrás da Red Bull e 58 atrás da McLaren. Um fracasso que foi destaque em pronunciamentos no Senado italiano.

A Mercedes terminou o campeonato em quarto (214 pontos) e a batida de Schumacher na primeira volta acabou sendo o melhor exemplo da decepcionante temporada do heptacampeão.

A Renault, quinta no Mundial com 163 pontos, termina o ano com a melhor pontuação dela em uma etapa (18 pontos em Abu Dabi).

A seguir, Williams (69) e Force India (68) numa decisão apertada pelo sexto lugar que, na divisão do bolo, deve representar uma diferença perto de US$ 15 milhões.

Na sequência, classificaram-se Sauber (44), Toro Rosso (13), Lotus, Hispania e Virgin. A ordem das três últimas foi definida pelas colocações que não garantem pontos.

A cara e a atitude de mal perdedor de Alonso também serão lembradas como um destaque da grande decisão de Abu Dhabi. Depois de 40 voltas atrás de Vitaly Petrov, ele se achou no direito de xingar o russo por não tê-lo deixado passar. A pergunta que se fazia no paddock zombando do espanhol: ''isso é corrida ou passeio de domingo ?''. Mais uma ironia da F-1: a Renault, que deu um bicampeonato a Alonso, foi a equipe que o impediu de ser tri.

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