A volta por cima de Celso Roth

Desempregado no fim de 2007, ele fecha 2008 em alta

Elder Ogliari, Porto Alegre, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

O Campeonato Brasileiro deste ano recolocou no mercado, com nova imagem, um dos técnicos mais contestados do País. Foi durante a competição que Celso Juarez Roth viu a torcida trocar as vaias e impropérios que lhe dirigia por aplausos e palavras de incentivo, graças, é claro, às vitórias do Grêmio. Qualquer que seja o resultado de hoje, o treinador sabe que está valorizado de novo, depois de terminar 2007 desempregado e jogar a primeira rodada do campeonato deste ano sob a ameaça de perder o cargo. O Grêmio venceu aquele jogo, contra o São Paulo, no Morumbi, fez boa campanha e agora quer renovar o contrato de Roth. Outros clubes, como o Atlético-MG, também estão interessados nele. E, na segunda-feira, o técnico concorre com Muricy Ramalho e Vanderlei Luxemburgo ao título de melhor do ano na festa de encerramento de temporada da CBF. Mas não foi só pelos resultados do time que a imagem de Roth mudou. Quando foi contratado para substituir o invicto Vagner Mancini, em fevereiro, o treinador surpreendeu os repórteres pelo estilo light. Durante o ano, confirmou que queria deixar a imagem de mau humorado para trás. Mostrou-se cordial para dizer que não comentaria seu indiciamento por evasão de divisas num inquérito da Polícia Federal, em setembro. Também explicou como "oscilação previsível" a queda de rendimento do time no segundo turno, quando viu uma vantagem de 11 pontos para o São Paulo se transformar em desvantagem de três. Se não saiu da linha nos maus momentos, Roth também não tripudiou nos bons. Em vez de ficar cobrando elogios, sempre preferiu lembrar que o futebol é feito de cobranças por resultados, especialmente no Grêmio. "Pressão, pressão e mais pressão, essa é a nossa rotina", definiu, mostrando-se conformado com as imposições da profissão. Apesar de saber que só os bons resultados mantém treinadores em alta, Roth costuma criticar as exigências de curto prazo que, diante de qualquer tropeço, interrompem projetos no meio do caminho. É por isso que pode ficar no comando do Grêmio no ano que vem, aproveitando a rara chance de iniciar temporada montando o time ao seu gosto.

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