Deividi Correa/ Agnews
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A voz do esporte na TV brasileira vai mudar de tom

Galvão Bueno, o maior narrador do País, ‘muito provavelmente’ deve se despedir após a Copa da Rússia no ano que vem

Entrevista com

Galvão Bueno

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 07h00

A voz do esporte na TV brasileira vai mudar de tom. Após 37 anos como narrador da TV Globo, Galvão Bueno se prepara para assumir um novo cargo nas transmissões esportivas, após a Copa da Rússia. Em entrevista exclusiva ao Estado, durante o Galvão Bueno Invitational Embrase de Golfe, no São Fernando Golf Club, em Cotia, o “vendedor de emoções”, como ele próprio se intitula, revelou que “muito provavelmente” o Mundial do ano que vem será o seu último. “Poderei ir para o Catar como comentarista, âncora...só não vou parar”, disse, muito simpático e animado, aos 67 anos. Sua intenção é seguir “naquilo que sabe fazer” até os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020., em 2020.

Galvão também falou de golfe, uma de suas novas "paixões" ao lado do vinho, criticou os casos de corrupção envolvendo os políticos do esporte, pediu uma auditoria em todas as confederações e federações, além de elogiar Tite, a seleção brasileira, Neymar e o Campeonato Brasileiro.

No final, revelou uma frustração por jamais ter narrado um título mundial de um de seus filhos. "Mas parece que o Cacá pode disputar ainda um Mundial de Turismo", afirmou, sempre com o sorriso no rosto. "Sempre penso positivamente. E acredito sempre no Brasil."

Você acha que o golfe pode se tornar popular como aconteceu com a NBA, o futebol americano?

O golfe cresce, os campos de golfe vão surgindo e o número de golfistas vai aumentando. E são pessoas que vem de outros esportes. O Carlão, capitão da seleção brasileira de pólo a cavalo, o Rubinho (Barrichello)... Eu digo o seguinte: nós continuamos procurando o nosso Guga. Foi o grande nome do nosso tênis, mas pena que não foi bem aproveitado. Infelizmente as federações e confederações não nos trazem grandes alegrias pelos trabalhos que fazem. Os atletas sim. Mas acho que o golfe tá precisando de um Guga. Precisa de alguém que se destaque, que vá figurar entre os top 100, que vá brigar por um top 10, que dispute os torneios PGA, que seja o Guga. Aí sim poderemos ganhar espaço na televisão.

Existe preconceito com o golfe?

Temos de terminar com este preconceito de que golfe é esporte de rico. Precisamos de campos públicos. Não pode ser o associado, que tem de pagar uma manutenção cara. Precisamos de iniciativa privada. O campo olímpico no Rio continua público.

A TV ajuda a massificar?

A TV cria a intimidade do esporte com o telespectador, que acaba virando um torcedor. um apreciador do esporte. E claro a TV massifica. E isso é fundamental. Nós estamos caminhando. Tem alguma coisa de preconceito que precisamos quebrar. Dar mais oportunidades para esses meninos, os caddies (carregadores de taco), que conhecem as manhas do campo, passam o dia aqui nos torneios.

Tem alguém se destacando?

Nós temos um exemplo, o Herik Machado, de 20 anos, lá de Santana do Livramento, que é o número 1 amador do Brasil, que vem desta escola de garotinho, de carregar taco, e começar a bater na bola, e tem um certo apoio. Já se destaca, representa o Brasil em campeonato mundial. O Brasileiro é supertalentoso para todos os esportes, esportes individuais, coletivos; então tá na hora da gente achar o nosso Guga.

Como você está vendo a crise com o COB?

Eu vejo a crise com o COB em um grande balaio. É lamentável, mas o Ministério do Esporte nos últimos anos foi moeda de troca, foi moeda de pagamento político, por que o Ministério do Esporte precisa pertencer ao mesmo partido sempre... por que o mesmo partido dava apoio à mesma base governamental... então eu não me lembro qual foi o último ministro do esporte que teve alguma ligação com o esporte no Brasil... te desafio a me dizer quem foi... nós tivemos sindicalistas, deputados profissionais... tivemos uma série de coisas, um monte de paraquedistas, o que eu acho sinceramente... já disse isso, nós tivemos problemas com a confederação de futebol, nós temos um ex-presidente da confederação de futebol preso nos Estados Unidos, nós temos um presidente e um ex-presidente que não podem sair do Brasil, nós tivemos um presidente da confederação aquática preso durante um bom tempo, agora nós temos o presidente do Comitê Olímpico preso, temos outros que foram obrigados a se demitir dos cargos, até para não serem presos, então será que não era o momento do Ministério do Esporte fazer alguma coisa? Será que não era o momento do Ministério do Esporte pedir uma auditoria? Seria o momento de o Ministério do Esporte determinar uma auditoria em todas as federações e confederações nacionais e ver o que está errado. Quem tá devendo financeiramente, quem tá devendo moralmente e aproveitar este momento, que eu digo sempre, precisamos de uma vassoura gigantesca para ir varrendo e vai limpando.Então isso tem de partir de algum lugar.

A seleção de futebol conseguiu se afastar desse momento ruim?

Vejo a seleção em um momento bom. Temos uma bela geração, temos um trabalho muito bem feito e liderado pelo Tite. O Tite é um grande técnico e um grande gestor de talentos. As pessoas se encantam com ele, o jogador corre por ele, se entrega por ele, o vestiário está feliz, percebe-se a diferença na concentração no comportamento dos jogadores. E acho que vivemos no campo e no entorno do campo um bom momento. É claro que há pessoas que trabalham muito bem na confederação de futebol, na área de marketing, na área técnica, mas temos o problema central. A seleção pertence ao torcedor brasileiro. Incomoda ela ter um dono. Isso incomoda. Na maioria dos países onde temos futebol desenvolvido você tem as ligas, que são os campeonatos nacionais. Você tem a La Liga na Espanha, Liga 1 na França, Premier League na Inglaterra, Serie A na Itália, MLS nos EUA, Bundesliga na Alemanha, e a federação cuida da seleção. Aqui a confederação cuida de tudo. Temos um caminho para limpar e um caminho para andar, mas a seleção me parece bastante bem.

E o Neymar?

Neymar tem tudo para ser o homem da Copa.

Você queria a Argentina fora da Copa da Rússia?

Não, os melhores precisam estar na Copa. É o grande palco e os grandes têm de estar lá. As melhores seleções e os melhores jogadores. Nós temos 20 copas do mundo. São cinco títulos brasileiros, quatro alemães, quatro da Itália, dois da Argentina, dois do Uruguai e três países que cada um ganhou uma vez, França, Espanha e Inglaterra. Então quando a gente fala de copa quem entra como favorito é Brasil, Alemanha, Itália e Argentina. Argentina tem de estar na Copa. Messi tem de estar na Copa.

E o Campeonato Brasileiro?

Mais do que tecnicamente, me agrada pelo equilíbrio. Tem time que está na mesma distância da vaga na Libertadores e para o rebaixamento.

Você falou que iria parar depois da Copa da África..

Isso foi um mal entendido. Eu não sei fazer outra coisa. Eu amo o que faço. Enquanto me aturarem... eu imaginava que a Copa na África do Sul seria minha última copa fora do Brasil. Eu comecei em 1974. Foi Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, EUA, França, Japão-Coreia, Alemanha, e completei a décima na África do Sul... com o compromisso da Copa do Brasil em 2014 eu naquele momento não me via fazendo a transmissão dos Jogos da Rússia em 2018...Muito provavelmente a Rússia seja a derradeira, a 12ª copa do mundo.. é uma história...

Você começou a carreira como comentarista?

Sim... posso ir como comentarista ou âncora... projetar algo para o Catar... se a saúde estiver bem... na Copa do Catar vou estar com 72 anos...

Você disse que ficou faltando gritar seu filho campeão do mundo...

Isso eu sinto muita vontade. Consegui ter um filho campeão sul-americano, brasileiro, com Cacá e com Popó. Ficou uma frustração de não ter um campeão do mundo, mas parece que o Cacá está recebendo uma proposta para ser piloto oficial em uma equipe no Mundial de Turismo. Talvez, quem sabe surge uma oportunidade. Falta o melhor ainda para a minha carreira. Quando fiz a transmissão do tetra, não pensava no penta. Veio penta e agora pensamos no hexa e naquilo que possa acontecer. O melhor está sempre por vir. Tem de pensar positivamente.

E você pensa positivamente para o Brasil?

Acho que o melhor para o País ainda está por vir. Estamos vivendo um momento muito difícil. Nós temos de acreditar na reconstrução do Brasil. Temos de acreditar que podemos ter um congresso mais correto, empresários que saibam o limite do que é correto e o que não é. Nós não somos um país formado por pessoas erradas. Nós tivemos pessoas erradas atuando em momentos pontuais e importantes do País. Eu acredito muito no Brasil, sempre acreditei.

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