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Antero Greco
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A zica dos acréscimos

Aqueles minutinhos de bônus que os árbitros costumam conceder, sobretudo no segundo tempo, com frequência desgastam mais do que o jogo todo. Pode reparar. Quantas vezes você já não assistiu a uma partida sonsa, desbotada que toma rumo inesperado bem na hora da lambuja? O chorinho na dose de bola a rolar pode fazer a desgraça de quem já se deliciava com a vitória ou dá gosto de desforra para quem perdia e reagiu.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2014 | 02h00

O Palmeiras, por exemplo, só tem a lamentar os acréscimos, pelo menos na reta final do Brasileiro. Tem sido tão difícil chover na horta alviverde e, quando tudo indica que os prognósticos negativos vão por areia a baixo (por aqui não tem água mesmo), daí que eles fincam pé e mostram a cara de sarcasmo. Zica das bravas!

Duvida? Vamos relembrar. No meio da semana, Dorival Júnior e rapazes foram para Belo Horizonte ainda com a cacunda a doer, após os 3 a 1 para o Santos. A expectativa era de outra descompostura, diante do líder Cruzeiro. Pouco antes de se esgotarem os 45 minutos, Mouche acerta um canudo sem chance para Fábio - 1 a 0 surpreendente, com sabor de decisão de título. Até que, aos 47 e tanto, Dagoberto empata, depois de Fernando Prass soltar uma bola marota. E justamente o goleiro que, antes, evitaria a surra prevista. Um pontinho meio desenxabido.

Daí a trupe mede forças com o Corinthians, rival em fase imprevisível, mas ainda assim com mais regularidade e com pontuação muito maior. Meio da etapa inicial e Henrique, o goleador improvável da Série A, marca o 15.º dele. E com o Palmeiras a jogar bem, a ponto de criar oportunidades para ampliar a diferença. Até que, aos 46 do segundo tempo, Danilo comete um chute sem pretensão, de bola espirrada. Fernando Prass se atira no canto direito, como manda o figurino, mas a danada da bola desvia nas costas de Juninho, também caído: 1 a 1 e outros dois pontos que viraram fumaça. Concorda que são motivos suficientes pra praguejar?

Moral da história: o Palmeiras tem 36 pontos, continua fora da zona de rebaixamento, porém nem por sonho afastou o perigo de queda. A ameaça existe, embora haja motivos para a torcida acreditar na permanência assim que superar os sete jogos protocolares antes do fecho da temporada.

Não se trata de intuição, mas de constatação. A postura da equipe melhorou no returno, e mandou para escanteio a instabilidade angustiosa da breve aventura com Ricardo Gareca. O Palmeiras de Dorival não encanta nem passa por revolução tática. Joga simples, com segurança e renovada autoestima. Com certa qualidade, também. O retorno de Valdivia e Prass pesa a favor, como a evolução dos jovens Victor Luís, João Pedro e Nathan, pronto para fazer o pentacampeão Lúcio virar opção.

Um conjunto que pode dar samba em 2015 - desde que consolide a recuperação, não perca jogadores importantes e não tombe para a Segunda. E que fez um clássico animado com o Corinthians. O jogo foi bom por méritos de ambos, que se preocuparam em criar, mesmo com alguma catimba e faltas um pouco duras. Não entra para a antologia de quase 100 anos de confronto, tampouco vai para a vala comum. Ficou na média.

O Corinthians não tem do que lamentar, apesar das reclamações de praxe contra arbitragem - mais na conta dos usos e costumes do que motivadas por decisões polêmicas ou claramente tendenciosas. Com 53 pontos, se mantém na briga por vatga na Taça Libertadores. O entrave são os empates: 11 em 31 rodadas, quesito que vira e mexe o tira do G-4, como acontece no momento.

O panorama do campeonato clareia em alguns pontos, mas há espaço para surpresas, em cima e embaixo. Segundo turno dá calafrios...

Dr. Brito. Perdi anteontem um fiel e amável leitor, e sobretudo amigo do peito. Cinco dias antes de completar 95 anos, meu sogro concluiu a linda biografia dele. A alma suave como um bem-te-vi bateu asas para a eternidade. Esta crônica é pra ele.

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