Abade: pressão superada e boa arbitragem

O relógio marcava quase 18 horas (17h58) quando ele correu em direção ao gol do Santos. Pegou a bola de Rafael, ergueu os braços e apitou o fim do jogo de ida da decisão do Campeonato Paulista. Recebeu um aperto de mão, um abraço e os parabéns do goleiro santista. Depois de tanta polêmica envolvendo a arbitragem nos jogos do Estadual, Cléber Wellington Abade deixou o Pacaembu com a certeza do dever cumprido.

Fábio Hecico e Sanches Filho, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2011 | 00h00

"Infelizmente, perdemos o Danilo para o próximo jogo. Não sei nem se foi falta, muito menos para cartão amarelo. Esse é o meu único questionamento do Abade, pois ele fez uma grande arbitragem", disse o técnico Muricy Ramalho, lamentando a perda de seu segundo volante por suspensão.

Abade, realmente, foi bem ontem. Não inventou, soube parar a bola na hora que deveria e saiu ileso até do coro que persegue as arbitragens no País, de "ladrão, ladrão." Engana-se quem pensa que apenas os santistas foram parabenizá-lo pela tarde perfeita. Os companheiros de arbitragem fizeram questão de abraçá-lo e os corintianos, ainda dentro de campo, também se dirigiram à autoridade máxima do jogo para cumprimentá-lo.

Abade, escolhido para a primeira partida com o sorteio da bolinha de número 1, estava concentrado desde sexta-feira num hotel da capital para não se envolver em polêmicas. Há uma semana, a escolha de Paulo César de Oliveira, antecipada em reportagem do JT, deixou o clássico entre Corinthians e Palmeiras bastante tenso e irritou os palmeirenses, que protestaram muito por seu trabalho na semifinal.

Apesar de estar bastante protegido pela Federação Paulista de Futebol, Abade não escondeu sua apreensão na chegada ao Pacaembu. No semblante, demonstrava bastante tensão com a responsabilidade por apitar uma partida decisiva. Ele carregava no currículo uma arbitragem bastante questionada em 2005, na Vila Belmiro, numa vitória por 3 a 2 dos paulistas com pênalti polêmico no fim e duas expulsões.

Ontem, Abade foi a campo com duas horas de antecipação, examinou todos os cantos do palco do trabalho e disse que estava pronto para "uma grande partida." Chegou cheio de pose, com óculos escuros e de terno. Saiu com o uniforme de trabalho pingando suor e feliz por passar despercebido.

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