Abismo

O abismo psicológico do Palmeiras contrasta com a imposição de um rendimento fora da realidade do time para evitar mais um rebaixamento. O grupo não é de segunda, mas agora isso pouco importa, não se trata mais de uma questão técnica ou tática. O drama emocional mina o comportamento coletivo e apresenta ao torcedor o pior cenário possível para superar a crise.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2012 | 03h04

Luan foi expulso aos 25 minutos, quando não merecia, embora tenha trabalhado muito para deixar o campo mais cedo. O gol desperdiçado por Valdivia, aos 32 do segundo tempo, serve para ilustrar a falta de equilíbrio da equipe. Sobre a linha da pequena área, a 5 metros do gol de Cássio, o meia palmeirense cabeceou a bola para fora. Livre de marcadores, dominado pela tensão.

O Palmeiras perdeu o clássico em que o Corinthians nada fez além do básico. Não foi um partidaço, bastou esperar o adversário cair em suas próprias armadilhas. Foi o suficiente para a vitória, com bolas recuperadas e a melhor característica da era Tite, a organização.

Restam 13 rodadas para o fim do campeonato. Com as esperanças afundadas pela 15.ª derrota na competição, concretamente o time necessita ganhar 26 dos 39 pontos ainda disponíveis para escapar.

O resultado de ontem diz o seguinte: a partir de agora, o aproveitamento do time terá de ser de 67%, o mesmo de clubes hoje no topo da tabela. Para que isso seja real, o Palmeiras precisará de feitos incríveis, como vencer duas partidas consecutivas ou se dar bem fora de casa.

Com apenas quatro pontos em 36 disputas como visitante, uma vitória e um empate, esse é um tabu importante. A esta altura do Brasileiro, com o nível de confiança quase zero, os números mostram o tamanho da tarefa contra os times que serão visitados: Figueirense, São Paulo, Náutico, Bahia, Internacional, Flamengo e Santos.

Do jeito que está, o jogador perde a capacidade de ousar, prefere passes curtos, jogadas mais seguras e despeja qualquer tipo de bola na área, principalmente quando se tem um Barcos entre os zagueiros. Esse, obviamente, não é o caminho para livrar ninguém da degola. É o roteiro da queda.

Além da incompetência crônica dos cartolas, o calendário fracionado do futebol cria ilhas de excelência, como a recente conquista da Copa do Brasil. O custo, porém, pode ser alto. No caso do Palmeiras, foi a desmobilização no Brasileiro. É a realidade.

A conta sempre chega, cedo ou tarde. Do jeito que está, a agenda dos clubes possibilita o surgimento de várias crises, que podem vir no Campeonato Estadual, na Copa do Brasil - que em 2013 será mais longa - ou no Brasileirão. O momento é crítico.

A suprema ironia da segunda-feira é o Palmeiras receber, diante das obras da futura Arena Palestra, um importante evento na área de gestão e marketing do futebol. Presença obrigatória para dirigentes que não aprenderam a lição de 2002.

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