''Abro mão de um lado para ganhar do outro''

Com dez temporadas na categoria, Vitor Meira é dos poucos pilotos que não leva patrocínios para correr

Almir Leite e Milton Pazzi Jr., O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2011 | 00h00

Dez temporadas como piloto da Fórmula Indy - na terceira pela AJ Foyt - e 34 anos. Dois números que transformam o brasileiro Vitor Meira em um dos mais experientes da categoria e bastante conceituado entre os colegas e adversários. Mesmo sem vencer corridas, ele segue como um dos poucos pilotos realmente profissionais no mundo: tem salário pago pela equipe, e não paga para correr. Nem patrocínio pessoal tem. O segredo disso? Dedicação e compromisso, com confiança em todos com que trabalha.

"Tento não ser só piloto, mas contribuir de todas as maneiras, até financeiramente. Quero sempre trabalhar com a equipe para que ela cresça, e não tirar dela", aponta.

O salário mensal de Meira é o suficiente para pagar as contas, ter a vida que planeja e continuar fazendo o que gosta, nada para ficar rico, "como costumam dizer, até porque essa riqueza varia de cada pessoa", emenda.

Seu relacionamento com o dono da equipe, o americano Anthony Joseph Foyt, é de confiança e busca por melhorias. Negociação é a palavra-chave que o piloto usa. Se for necessário diminuir o salário para que a equipe consiga melhorar - o que lhe aumenta a chance de vencer - ele faz. "Para me pagar a equipe tinha dinheiro de túnel de vento, deixa de trazer um engenheiro... Sou um membro da equipe. Abro mão de um lado para ganhar de outro", conta, lembrando que seu atual contrato termina no final desta temporada.

Uma atitude que lhe fez ficar tanto tempo mas ainda não o levou a uma equipe grande, o que espera que ainda aconteça, ou até mesmo a ganhar. Tem duas pole positions e 28 vezes esteve entre os cinco melhores. Pelas equipes onde correu, resultados bons. "A cultura é de que se você ganha é bom, se não ganha não é. Mas não é fácil chegar aqui. Para a Penske é ruim não vencer, mas para, por exemplo, a Conquest (equipe considerada pequena), chegar em quinto numa corrida é uma vitória. No grid tem sucesso e fracasso para todos, não só para um ou outro", diz.

Foi essa filosofia e modo de agir - mais comedido que os colegas até - que o manteve na categoria após o grave acidente que sofreu nas 500 milhas de Indianápolis de 2009. Seu carro decolou e ele fraturou duas vértebras com a batida no muro a mais de 300 km/h. Ficou nove meses sem poder pilotar, com dificuldade até para andar. "Fisicamente foi o que menos atrapalhou. O duro é psicologicamente. Mas ainda bem que foi numa época em que estou me sentindo mais maduro", explica, reforçando estar totalmente recuperado.

Essa época madura coincide também com o nascimento de sua primeira filha, Juliana, no final de semana passado. Ela está nos Estados Unidos com a mulher Adriana, que é brasileira. Isso não o faz mudar da ideia de voltar para Brasília quando parar de correr. "É minha casa".

Considerando que sua equipe está num terceiro pelotão (de quatro), Meira acredita que o trabalho está longe de acabar ou de desanimar. "Nunca vou reclamar. Agradeço tudo o que tenho. Minha vontade de ganhar é a mesma de quando estava no kart. Aqui foi onde deu tudo certo e onde quero ficar."

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