Absolvido, Blatter já tem nova acusação

Julgado por tribunal que controla, presidente da Fifa agora terá de reagir à denúncia de que trocou US$ 1 milhão por votos

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2011 | 00h00

Absolvido ontem pelo Comitê de Ética da Fifa da acusação de ter sido omisso no episódio que apura distribuição de propinas para membros da entidade, o atual presidente, Joseph Blatter, já tem mais explicações a dar.

O cartola foi acusado ontem mesmo de ter pago US$ 1 milhão para garantir o voto na eleição de quarta-feira - quando o cartola, agora candidato único no processo, tenta a reeleição.

Mohamed Bin Hammam, aquele que deveria ser o rival de Blatter no pleito, mas que renunciou à disputa, foi suspenso diante da denúncia de que teria dado US$ 1 milhão a cartolas pelo mesmo motivo que a nova acusação ao oponente: troca de votos.

Bin Hammam teria o apoio de Ricardo Teixeira na eleição e sua queda agora deixa a CBF em uma situação delicada - o árabe esteve no Brasil há duas semanas.

Jack Warner, presidente da Concacaf, foi também suspenso por ter ajudado Bin Hammam a organizar os pagamentos. As penas são provisórias (a Fifa encerra o processo em julho).

Em represália, Warner divulgou suposto e-mail do secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, em que o dirigente da federação admite que o Catar comprou o direito de sediar a Copa de 2022.

O tiroteio eleitoral na entidade respingar no Catar era o principal temor do governo do país árabe, um dos responsáveis pela renúncia da candidatura de Bin Hammam. A preocupação se confirmou: a ampliação das denúncias questionam a forma pela qual foi escolhido sede do Mundial.

Bin Hammam havia aberto um processo contra Blatter, alegando que ele tem conhecimento dos pagamentos de propina.

O tribunal, montado e pago pelo próprio Blatter (que não levou um advogado à audiência de ontem), disse que questionou o presidente sobre isso. Mas tomou sua palavra como a única versão possível.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.