Acaba o confronto. Equipes vencem

Mundial de 2010 será o mesmo e Mosley deixará presidência da FIA

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari e da Fota, a associação das equipes de Fórmula 1, encontrou-se com Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, terça-feira à noite, em Paris, um dia antes da reunião do Conselho Mundial da FIA, e disse-lhe com todas as letras: "Qualquer possibilidade de acordo passa, necessariamente, pela saída de Max Mosley da presidência da FIA." Montezemolo acabou atendido e acabou o racha na Fórmula 1.Ecclestone, que no fim de semana, em Silverstone, já havia compreendido o recado da Fota, ainda que não nessa forma direta, convenceu Mosley de que seu regulamento para 2010 e permanência na FIA significaria o fim da Fórmula 1. Pediu, ainda, a alguns membros do Conselho próximos a Mosley que o convencessem da importância de desistir. A história foi contada por um desses integrantes. Diante da solicitação geral, Mosley concordou, o que não deixou de os surpreender. O passo seguinte foi encontrar uma saída honrosa para Mosley. O discurso foi ensaiado antes: "Agora que há paz na Fórmula 1 digo que não mais concorrerei em outubro para novo mandato", afirmou, então, o inglês. Tudo o que ele anunciou dia 29 de abril, como o polêmico limite orçamentário de £ 40 milhões (R$ 130 milhões), caiu por terra. Em resumo, foi uma derrota humilhante de Mosley.A Fórmula 1 não só não terá um campeonato paralelo em 2010 como as regras serão as propostas pela Fota, com redução de custos sugerida pelas dez equipes, cujo pacote será ainda anunciado. Mosley permanecerá até o fim do mandato, em outubro, mas Montezemolo fez outra exigência para a paz de ontem: "Assinar já a extensão do Acordo da Concórdia". O que também acabou aceito. Esse acordo retira do presidente da FIA a prerrogativa de fazer o que bem entender com a categoria. As mudanças na competição voltam a ser discutidas entre equipes, pilotos, promotores, patrocinadores, FIA e FOM, a empresa de Ecclestone. "Chegamos a algo que atende aos interesses de todos", afirmou Montezemolo, que, para ser bem político, enalteceu a contribuição de Mosley para a Fórmula 1. Na saída, o presidente da FIA, responsável direto pelo confuso campeonato deste ano ao tentar provocar um racha entre as equipes e autorizar o famoso difusor duplo, comentou: "Estou feliz porque vai se gastar bem menos dinheiro." Montezemolo falou também: "As regras serão as deste ano, ou seja, teremos estabilidade, fundamental para conter despesas." Ecclestone, o articulador principal do acordo, limitou-se a dizer: "Estou feliz."COMO FICA EM 2010A Fórmula 1 não terá limite orçamentário. As equipes se prontificaram a investir cerca de US$ 150 milhões na próxima temporadaMax Mosley permanecerá na presidência da FIA até o fim do mandato, em outubro, mas não tem mais poder algum sobre a categoria, a não ser nos casos de segurançaQualquer mudança de regra deverá ser discutida entre todos, equipes, pilotos, promotores, patrocinadores, FIA e FOMEm 2011, escuderias vão investir o que ganharem com a Fórmula 1, tornando-se auto-sustentáveis, projeto maior da Fota

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