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Antero Greco
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Acerto #404

Muitas vezes procuramos uma página na internet e aparece o aviso de "Erro #404". Dá um susto e tanto. Isso significa que o material está indisponível em determinado momento ou já não existe mais. Se não dei a explicação adequada, desculpe-me a ignorância. Também, creio, não está longe da verdade - e quem entende do tema é a turma competente do Link.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

01 Março 2015 | 02h02

O 404 neste domingo precisa vir com o aviso de "Acerto", sem relação com informática. O número, no caso, se refere ao quadrigentésimo quarto Gre-Nal, clássico com forte e indispensável componente bairrista, como todo duelo que se preza entre times do mesmo Estado.

Mas o encontro que Internacional e Grêmio fazem no início da noite, no novo e moderno Beira-Rio, tem alcance e repercussão nacionais. Trata-se de jogo diferente, em que a busca da hegemonia gaúcha passa para segundo plano. O destaque está na experiência de colocar lado a lado torcidas rivais a dividir espaço nas arquibancadas.

A ideia é simples e partiu do Inter, mandante do jogo. Uma parte, pequena ainda, das cadeiras do estádio está reservada para colorados e tricolores ficarem juntos. Os ingressos foram vendidos para os seguidores do Inter, na base do compre um e leve dois. Com uma contrapartida: a segunda entrada tinha de ser entregue a um gremista.

Dessa maneira, haverá imagens até então inconcebíveis de opostos a curtir um programa de lazer em conjunto. O casal dividido por paixões distintas poderá sentar-se lado a lado e trocar gozações recíprocas. Os amigos que discutem eternamente - e sem chegar a conclusão alguma - qual dos times é o maior do Rio Grande, do Brasil, do Mundo, poderão estender o papo para o local da disputa. O papai gremista aguentará os gritos do filho colorado, e assim por diante. Democraticamente.

Parece coisa do outro mundo - e, em tempos de intolerância real e virtual, é mesmo. O que antes era ato corriqueiro - dividir espaço com adversários na plateia de uma partida de futebol - virou fenômeno, experiência de risco, atitude ousada. A violência crescente entre cretinos de qualquer preferência clubística deu uma gravata na lógica. Está aí o temor de enfrentamentos em diversos clássicos marcados para hoje.

Esta crônica não é para lamentar, mas para elogiar, incentivar, torcer para que dê certo. Tomara colorados e tricolores que estiverem apenas com as respectivas tribos olhem com respeito, e com saudável dor de cotovelo, a convivência dos que dividirão espaço comum. Que sintam vontade de, na próxima ocasião, também passarem para o lado de lá e zoarem a valer, sem temor nem constrangimento. Até o dia em que não haverá mais divisões nem se tenha medo de ir a um campo.

O São Paulo acenou com a possibilidade de propor algo semelhante no jogo de volta com o Corinthians pela Libertadores. Por que não? Uma forma inteligente e pacífica de peitar os irados da vida. Como disse um dirigente do Inter, há preocupação demais em arrumar lugar para os maus torcedores e de menos para acolher os bons torcedores. Hora de virar o jogo.

Dilema alvinegro. O Corinthians tem jogo pela Libertadores, no meio da semana, e Tite se dispõe a colocar vários reservas diante do Mogi Mirim. Possível que tenha de fazer algum improviso - não por opção tática, mas por limitação de elenco. Como o regulamento fixou em 28 o número de inscritos, o treinador se vê obrigado a usar o mesmo grupo em duas frentes. De quebra, veda espaço para jovens que teriam oportunidade na competição doméstica. A FPF adora dar tiros no pé. Que pena.

Tricolor dengoso. O temor do São Paulo, na visita a Rio Claro, é menos o time local e mais a dengue, doença epidêmica que há anos desafia as autoridades. Muricy Ramalho decidiu entrar com força máxima, no que faz bem, pois assim incentiva os titulares a manterem a reação e acelera o entrosamento. Que tenha um time cheio de dengo, astúcia e malícia.

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