Daniel Zappe/Exemplus/CPB
Alessandro Rodrigo, da classe F11, participa de prova em Dubai Daniel Zappe/Exemplus/CPB

Alessandro Rodrigo, da classe F11, participa de prova em Dubai Daniel Zappe/Exemplus/CPB

Acompanhe a cobertura do Mundial Paralímpico de Atletismo, em Dubai

Competição nos Emirados Árabes Unidos tem o Brasil como um dos favoritos às posições de honra no quadro de medalhas

Redação , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Alessandro Rodrigo, da classe F11, participa de prova em Dubai Daniel Zappe/Exemplus/CPB

O Estado acompanha diretamente de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a realização do Mundial Paralímpico de Atletismo. O enviado especial João Prata é quem está perto dos competidores e das disputas tanto por medalha como por vaga nos Jogos Paralímpicos do Japão, no próximo ano. O Brasil é um dos favoritos a terminar a competição nas mais altas posições do quadro de medalhas.

 

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Brasil vai ao Mundial de Atletismo Paralímpico para superar marca de 2013

Evento será realizado em Dubai, nos Emirados Árabes, até o dia 15

João Prata, enviado especial a Dubai*, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2019 | 18h00

A equipe de atletismo foi fundamental para o Brasil bater o recorde de pódios e de medalhas de ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, em agosto - das 257 conquistas, 82 saíram das provas de pista e de campo. Agora, uma delegação composta por 43 atletas vai a Dubai tentar também entrar para a história no Mundial da modalidade.

A nona edição do evento acontecerá entre esta quinta-feira e 15 de novembro nos Emirados Árabes. A meta é superar o Mundial de Lyon, de 2013, quando o País teve seu melhor desempenho ao terminar na terceira colocação na classificação geral com 40 medalhas, sendo 16 de ouro. Na ocasião, o Brasil levou 35 atletas e 24 subiram ao pódio.

O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Mizael Conrado, evita fazer projeções, mas está otimista. "Construímos ao longo deste ciclo paralímpico uma base ampla de atletas de ponta, o que nos coloca em posição de brigar por uma quantidade expressiva de medalhas", disse.

Yohansson Ferreira, hoje com 32 anos, foi um dos que mais contribuíram para a excelente performance nacional em Lyon. Na época, ele já era um dos destaques da delegação e conquistou um ouro, uma prata e um bronze. Yohansson nasceu sem as mãos e compete na classe T-46 desde 2005. Em Lima, terminou com a prata nos 100m, atrás do compatriota Petrúcio Ferreira.

Veterano da atual equipe brasileira, Yohansson destaca a importância de mesclar jovens e veteranos na delegação. "Sou de uma geração que vem competindo há bastante tempo e estou fazendo parte dessa renovação. Quando comecei, em 2005, pensavam nos Jogos de Londres-2012, nem se falava em Tóquio-2020. Sei que daqui 20, 30 anos vai continuar existindo esporte paralímpico. E espero que continue a brilhar", disse.

PROCESSO  DE RENOVAÇÃO

A média de idade dos atletas que vai a Dubai é de 28,6 anos. A paulista Beth Gomes, de 54 anos, é a mais velha e vai a Dubai em busca do ouro. Ela bateu o recorde mundial no lançamento de disco e vem de dois primeiros lugares no Parapan de Lima. Ganhou também no arremesso de peso. Beth tem esclerose múltipla e compete na classe F52.

O caçula da delegação é Christian Gabriel, de 17 anos, promessa brasileira nos eventos de velocidade da classe T37 (paralisados cerebrais). Ele vem de dois ouros conquistados no Mundial Sub-17. Os 43 atletas estão divididos entre 29 homens e 14 mulheres. Por deficiência, a equipe brasileira é composta por 25 pessoas com limitações físicas, 17 deficientes visuais e um deficiente intelectual. Doze atletas-guia completam o time.

TRÊS PERGUNTAS PARA....

Mizael Conrado, presidente do CPB

Qual é a expectativa para o Mundial?

O Comitê Paralímpico Brasileiro tem uma expectativa muito boa para a nossa participação no Mundial de Atletismo de Dubai. Construímos ao longo deste ciclo paralímpico uma base ampla de atletas, o que nos coloca em posição de brigar por uma quantidade expressiva de medalhas. O aumento da presença de brasileiros entre os melhores do ranking mundial, tanto nas provas de campo quanto de pista, certamente se refletirá em um resultado muito satisfatório.

Há uma meta de medalhas?

Não trabalhamos com uma meta específica de medalhas para o Mundial de Atletismo, mas confiamos em uma boa participação da nossa delegação. Será uma grande oportunidade para avaliarmos nosso trabalho e fazermos os últimos ajustes antes dos Jogos de Tóquio.

 De que maneira o Mundial contribui para Tóquio-2020?

O atletismo é uma modalidade estratégica em nosso planejamento e o resultado em Dubai nos dará uma estimativa mais precisa da nossa posição no cenário mundial. Para nos mantermos no Top 10 do quadro-geral dos próximos Jogos Paralímpicos temos, obrigatoriamente, de ter um ótimo desempenho no atletismo.

*o repórter viaja a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro

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Especial - Os possíveis destaques do Brasil no Mundial

Relatório afirma que os dois bancos estatais e Bradesco, Itaú e BTG somam exposição de R$ 9,4 bilhões

ALINE BRONZATI, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2013 | 02h06

A exposição das empresas X, do empresário Eike Batista, no mercado financeiro está concentrada em cinco bancos brasileiros, de acordo com relatório do Bank of America Merril Lynch, enviado a clientes.

Os estatais Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal estão entre as principais com R$ 4,888 bilhões e R$ 1,392 bilhão, respectivamente.

Em seguida estão os privados Bradesco, Itaú Unibanco e BTG Pactual. Juntos, conforme cálculos dos analistas Alessandro Arlant, Anne Milne e Roy Yackulic, esses bancos somam exposição de mais de R$ 9,4 bilhões às empresas do grupo X.

Eles destacam, no relatório, que os números estão baseados nos balanços do primeiro trimestre deste ano e são apenas uma visão parcial da exposição global das empresas X aos bancos brasileiros.

"As informações e a divulgação das mesmas são pobres e, por isso, é tão difícil avaliar o tamanho da exposição dos bancos em relação às empresas X uma vez que ele pode estar subestimado", avaliam os analistas.

Eles lembram que o fato de o grupo EBX, holding que concentra os negócios de Eike Batista, não ter capital aberto e, por isso, não divulgar informações sobre suas dívidas totais, dificulta uma análise mais apurada sobre o risco X para os bancos.

Além disso há, conforme atentam Arlant, Anne e Yackulic, títulos de dívidas, como debêntures, por exemplo, que não são contabilizadas na linha de empréstimos dos balanços das instituições bancárias e garantias concedidas.

Os analistas destacam ainda que Bradesco (R$ 1,252 bilhão) e Itaú Unibanco (R$ 1,235 bilhão) têm uma exposição semelhante ao grupo X, representando 1,3% e 1,4% do seu capital, respectivamente.

Injeção. Já para o BTG, embora tenha uma menor exposição, da ordem de R$ 649 milhões, principalmente referente à MPX (R$ 459 milhões), dado o seu pequeno tamanho em relação aos bancos comerciais, a exposição é de 4,3% do seu capital total.

O JPMorgan estima que a OGX precisa de uma injeção mínima de capital de US$ 700 milhões para garantir a operação da petroleira até meados do próximo ano.

"A injeção de capital em meio a um desenvolvimento de capex (investimentos para a manutenção dos equipamentos e da produção) reduzido em 2014 pode ser um alívio para as necessidades de caixa no curto prazo, mas a geração de caixa dificilmente será suficiente para cobrir o vencimento de bônus de US$ 2,6 bilhões com vencimento em 2018, exigindo uma renegociação da dívida", afirma o relatório da instituição financeira./ COLABOROU FERNANDA GUIMARÃES

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Dançarinos com réplicas de fuzis marcam abertura do Mundial

Evento paralímpico começou nesta quinta-feira e vai até dia 15 nos Emirados Árabes

João Prata, enviado a Dubai, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2019 | 13h53

A cerimônia de abertura do Mundial de Atletismo Paralímpico em Dubai realizada nesta quinta-feira contou com os discursos protocolares, apresentações típicas do país, crianças vestidas em trajes árabes e sem a presença dos atletas. Thani Juma Berregad, presidente do Comitê Organizador Local, e Mohamed Alhameli, membro do conselho do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), falaram por mais de meia hora sem tradução.

Logo em seguida meninas entraram por um lado e meninos por outro em uma apresentação que aconteceu no Dubai Club, um estádio destinado ao treinamento de atletas paralímpicos. Homens vestidos com túnica branca apareceram na sequência e fizeram malabarismos com réplicas de fuzis e chicotes. 

Cerca de 1.400 atletas de 120 países competem em 172 provas no Mundial de Dubai 2019. O time verde-amarelo conta com 43 representantes de 17 estados e do Distrito Federal. É a maior delegação da história do País nesta competição. A meta é ultrapassar o desempenho de Lyon-2013, quando o País teve seu melhor desempenho ao terminar na terceira colocação na classificação geral com 40 medalhas, sendo 16 de ouro. Na ocasião, o Brasil levou 35 atletas e 24 subiram ao pódio. O evento é realizado no Dubai Club for People of Determination até o dia 15 de novembro. 

A média de idade dos atletas brasileiros que estão em Dubai é de 28,6 anos. A paulista Beth Gomes, de 54 anos, é a mais velha e vai a Dubai em busca do ouro. Ela bateu o recorde mundial no lançamento de disco e vem de dois primeiros lugares no Parapan de Lima. Ganhou também no arremesso de peso. Beth tem esclerose múltipla e compete na classe F52.

O caçula da delegação é Christian Gabriel, de 17 anos, promessa brasileira nos eventos de velocidade da classe T37 (paralisados cerebrais). Ele vem de dois ouros conquistados no Mundial Sub-17. Os 43 atletas estão divididos entre 29 homens e 14 mulheres. Por deficiência, a equipe brasileira é composta por 25 pessoas com limitações físicas, 17 deficientes visuais e um deficiente intelectual. Doze atletas-guia completam o time.

 

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Rayane Soares garante a primeira medalha de ouro do Brasil no Mundial

Estreante na competição, brasileira faz o melhor tempo de sua vida e confirma vaga para os Jogos de Tóquio-2020

João Prata, enviado especial a Dubai, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2019 | 15h13

A maranhense Rayane Soares, de 22 anos, foi a responsável por levar o Brasil pela primeira vez ao pódio no Mundial de Atletismo Paralímpico em Dubai. Estreante nesse tipo de competição, ela conquistou a medalha de ouro nos 400m da classe T13 com o melhor tempo de sua vida: 57s30. A primeira colocação garantiu a ela uma vaga nos Jogos de Tóquio-2020.  A portuguesa Carolina Duarte, favorita da prova, terminou com a prata (57s46) e a ucraniana Leilia Adzhametova (57s55) ficou com o bronze.

"Estou muito feliz. O que mais quero fazer agora é ir para o celular e falar para as minhas irmãs que consegui e ganhei. Avisar minha mãe que estava preocupada porque eu estava com a perna machucada", comemorou. A marca alcançada surpreendeu Rayane. "Não estava esperando nada na verdade. Queria conseguir o índice ou ganhar medalha".

Natural de Caxias, no interior do Maranhão, Rayane hoje vive com a família em Brasília. Ela nasceu com baixa visão por causa de um problema congênito. Seus três irmãos também têm a mesma deficiência. As outras três irmãs, não.

Ravena, Rayssa e Raynara são as irmãs. Wallace, Wanderson e Wesley, os irmãos. Vivem todos em Samambaia, cidade satélite do Distrito Federal e estavam acompanhando a prova. Por causa da baixa visão, Rayane só percebeu que ganhou a prova depois que cruzou a linha de chagada e ouviu os outros atletas brasileiros vibrando na arquibancada. "Na hora da prova não vi se tinha sido eu ou a menina que estava do meu lado. Mas aí ouvi a galera e comemorei junto."

Rayane ainda competirá em duas provas no Mundial, os 100m e os 200m. A primeira também será disputada em Tóquio-2020, a outra, não. Para a maranhense, faturar os 400m foi um alívio e de certa maneira inusitado porque não é a prova em que ela é mais forte. "É a que fico mais nervosa porque não e minha especialidade. Fiquei muito feliz que deu tudo certo."

A especialidade é os 100m. No Parapan de Lima, que aconteceu no final do mês de agosto, início de setembro, Rayane terminou com a prata. Agora a expectativa é conquistar o segundo ouro em Dubai. "Vamos tentar". As eliminatórias começam no domingo pela manhã em Dubai, madrugada no Brasil.  

É BRONZE

A segunda medalha para o Brasil também veio nesta quinta-feira. Alessandro Sa Silva terminou em terceiro lugar no arremesso de peso com a marca de 13,99 metros. O ouro ficou com o iraniano Mahdi Olad (14,44m), e a prata com o croata Miljenko Vucic (14,42m). "Está ótimo. Essa não é a minha principal prova. Quarta-feira vou em busca do bicampeonato mundial no lançamento de disco."

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Parceria do Mundial de Atletismo com a ONU contrasta com preconceito em Dubai

Competição paralímpica é a primeira a divulgar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para o mundo

João Prata, enviado a Dubai, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2019 | 09h26

Dubai é um emirado de leis rígidas onde uma pessoa pode ser presa por estar bêbada e também por demonstrar atração por pessoa do mesmo sexo. É um local em que a cerimônia de abertura do Mundial de Atletismo Paralímpico mostrou homens em trajes típicos árabes dançando com réplicas de fuzil nas mãos. É uma região, no entanto, que precisa fazer vistas grossas aos estrangeiros porque vive essencialmente do turismo.

O Mundial está em seu segundo dia de competições. Já é um marco em Dubai porque pela primeira vez um evento esportivo divulga os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) - a intenção é fazer com que todos os países implementem essas medidas nos próximos 15 anos. O emblema com a hashtag #Forpeopleforplanet (#pelas pessoas, pelo planeta) possui 17 cores e é impossível não fazer alusão à bandeira LGBTQ. Pode ser visto na parte frontal da camisa dos competidores, acima dos nomes dos atletas, e também em meio às placas de publicidade ao redor do estádio onde acontecem os jogos nos Emirados Árabes. É, sem dúvida, um avanço.

Sara Alsenani, primeira atleta feminina do Emirado a ganhar uma medalha em Jogos Paralímpicos, comentou a importância de Dubai receber a competição. "Estou feliz que meu país esteja orgulhoso de mim e me sinto muito forte. Isso é apenas o começo. Tóquio-2020 é onde gostaria de encerrar minha carreira", disse ao Estado. Bronze no arremesso de peso feminino F-33 no Rio-2016, ela espera que o Mundial possa ser o início de novas transformações na região. "Quebrei muitas regras e quero mostrar que os atletas paralímpicos podem fazer muitas coisas. Sinto que sou como uma inspiração para outras garotas. Quero mostrar que o atletismo ensina como definir uma meta e depois alcançá-la", prosseguiu.

A atleta brasileira Verônica Hipólito elogiou a tentativa de Dubai de ser mais flexível em relação aos costumes do Ocidente. "Acho muito legal porque Dubai é um dos grandes centros financeiros do mundo. Quem sabe impacta para mais países aderirem o movimento. Também mostra que o movimento paralímpico está ganhando mais força. Já que dentro de um campeonato mundial está tendo uma ação importantíssima como essa."

Mas ela também questionou se a cidade conseguiria cumprir alguns desses objetivos. "Não consigo ver Dubai apoiando, por exemplo, 'empoderar todas as meninas e mulheres'. Sei que existe a questão da religião, mas não consigo ver esse empoderamento aqui. Não conseguiria ver uma agricultura sustentável aqui, por exemplo", comentou.

UM CHOPE A R$ 40 

As leis em Dubai são determinadas pelo Sheik Mohammed bin Rashid Al Maktoum. A imagem dele pode ser vista por todos os cantos da cidade. Nas prateleiras das lojas de souvenirs, há inúmeras publicações sobre o sheik, com versões em árabe e em português também. As opções vão de dicas de auto-ajuda até biografia (autorizada, claro).

A advogada brasileira Vanessa Franulovic vive há 12 anos em Dubai. Ela trabalha em uma incorporadora que constrói hotéis. Em entrevista ao Estado, comentou sobre a legislação nos Emirados Árabe. "Tem um código civil como no Brasil. Mas para questões em relação à família, existe uma lei que se aplica só para quem é muçulmano. Nos Emirados Árabes Unidos são as mesmas leis, basicamente. Mas há especificidades em cada emirado", contou. 

Por exemplo, Dubai é uma das cidades mais abertas por causa do turismo. Mas a venda de bebida alcoólica só é permitida em bares atrelados às redes hoteleiras. "Não existe bar de rua, não se compra bebida em supermercado", contou. Um chope custa pelo menos R$ 40. A garrafa de vodka Absolut, vendida no hotel, sai por R$ 300 no que eles chamam de 'special offer' (oferta especial). Os brasileiros que vivem aqui costumam pedir aos amigos que visitam Dubai para levarem bebidas alcoólicas do Free Shopping. 

PRECONCEITO

Outra questão é o preconceito com os gays. "O homossexualismo não é permitido. Não existe esse tipo de casamento. Não se pode andar de mão dada na rua nem beijar em público, porque a pessoa pode ser presa por isso. Existem muitos casais gays aqui, mas les não podem assumir. Eles podem morar junto, pois o governo entende como se fossem amigos dividindo o aluguel, que é muito caro. Um homem e uma mulher morando juntos precisam ser casados. E para ter filho tem de estar casado também", explicou Vanessa.

Verônica está há uma semana em Dubai. Ela reparou na desigualdade social e na pobreza e diz que tudo é bastante camuflado em meio aos prédios imensos, grandes avenidas e ao pequeno espaço para os pedestres. "As plantas são regadas, o asfalto é ótimo, dá para ver toda a estrutura moderna. Mas a questão é como vão adotar essas medidas?", questionou. "Há todo o luxo, a beleza do prédio mais alto do mundo... Mas conversei aqui com um paquistanês, um indiano e um etíope e eles falam sobre o subemprego. Então acho que o Mundial é a oportunidade de Dubai aceitar seus problemas e tentar mudar isso."  

OS 17 OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA ONU

1 - Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares

2 - Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável

3 - Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades

4 - Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos

5 - Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas

6 - Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos

7 - Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos

8 - Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos

9 -  Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação

10 - Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles

11 - Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis

12 - Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis

13 - Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos 

14 - Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável

15 - Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade

16 - Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis

17 - Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável

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Recordista mundial aos 54 anos, Beth Gomes batalha contra esclerose

Mais velha atleta da delegação brasileira em Dubai, ela revela luta contra a depressão e tentativa de suicídio antes de descobrir o esporte paralímpico

João Prata, enviado a Dubai, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2019 | 06h24

Elizabeth Gomes tem 54 anos e vive o auge da carreira esportiva. Ela bateu neste ano por duas vezes o recorde mundial no lançamento de disco e chega como favorita à medalha de ouro no Mundial de Atletismo Paralímpico, realizado em Dubai. O torneio começa nesta quinta-feira. Mais velha entre os 43 atletas da delegação brasileira, ela enfrenta também a batalha contra a esclerose múltipla que a incomoda desde quando tinha 27 anos.

O início foi difícil. Beth conta que tentou o suicídio e passou dois anos trancada em seu quarto sofrendo de depressão. Mas aos poucos ela conseguiu sair de casa, conheceu o esporte paralímpico e encontrou novo sentido para a vida. "A idade chega e o normal é ir decaindo. Mas estou tendo a felicidade de estar com essa idade e com a responsabilidade de mostrar aos jovens que tudo na vida é possível. Basta querer. Quero fazer o melhor mundial da minha vida, como se fosse o primeiro", disse em entrevista ao Estado.

Em Dubai, Beth disputará o quarto mundial de sua carreira. A estreia aconteceu em Lyon-2013, quando terminou em quinto lugar. O melhor desempenho até aqui foi o bronze em Doha-2015. Na mais recente edição, Londres-2017, ela terminou novamente em quinto lugar. 

A DESCOBERTA DA DOENÇA

O início da trajetória no atletismo começou tardiamente. Natural de Santos, Beth era guarda civil e jogadora de vôlei. Em 1993, três meses depois de conquistar o tricampeonato nacional, estava no trabalho normalmente quando apareceu o primeiro sintoma da esclerose. "Fui pular uma poça d'água, caí e fraturei a tíbia." Ela precisou passar por cirurgia e esperava em 45 dias retornar ao trabalho e às quadras. Mas a recuperação não foi como imaginava. Os médicos lhe informaram que precisaria realizar novo procedimento. "Sentia também fraqueza, formigamentos, perda de visão. Sentia muita dor e os médicos não entendiam o motivo."

Vieram novos exames, Beth procurou dois neurologistas e o diagnóstico foi confirmado. "Foi um baque. Tinha 27 anos e não acreditava que poderia ter um problemas desses nessa idade", disse. Ela começou tratamento e vivia ainda a expectativa de ter uma vida sem problemas. Um ano depois, recebeu a notícia de que não poderia mais jogar vôlei. "Fiquei mal, tentei me suicidar. Não aceitava essa condição. Fiquei dois anos em depressão. Perdi muito peso, pensava que já estava vegetando. Não dava mais viver. Peguei uma faca e tentei cortar os pulsos. A depressão quase me levou." 

A TRAJETÓRIA PARALÍMPICA

A doença evoluiu ainda mais. No início, Beth caminhava com a ajuda de muletas. Mas veio o segundo surto e ela perdeu o movimento das pernas. Os pais de Beth já haviam morrido. Quem a ajudou a se curar da depressão foi uma tia, que ela considera como mãe. O primeiro passo foi sair de casa. O segundo, procurar o Conselho Municipal do Deficiente da cidade de Santos. A intenção era tirar a carteirinha para andar de ônibus gratuitamente. Lá foi apresentada ao basquete de cadeira de rodas. 

A primeira reação foi de recusa. "Se não podia jogar vôlei, também não podia jogar basquete". Mas curiosa, foi lá ver como era aquela nova modalidade. Passou a primeira semana assistindo e na segunda começou a praticar. Não parou mais. Em 2006 a esclerose voltou a incomodar. O lado direito do corpo paralisou, os dedos dobraram em formato de garras e complicou um pouco para jogar basquete. Ela seguiu no esporte e descobriu também que poderia competir no atletismo. Durante quatro anos se dividiu entre as duas modalidades, até que optou apenas pelo lançamento de disco e arremesso de peso. Em 2011 veio a primeira convocação para a seleção brasileira.

RECORDISTA AOS 54

Surgiram as oportunidades de disputar os Mundiais, faturar ouro no lançamento de disco e prata no arremesso de peso no Parapan de Toronto-2015, mas as novas classificações à época a deixaram de fora do Rio-2016. Beth já teve por mais de 20 vezes sua classe alterada. A esclerose múltipla é difícil de mensurar, pois a doença evolui e não é fácil indicar as limitações de cada um.

Em 2017 Beth teve novo surto, o lado esquerdo do corpo foi paralisado, ela teve nova classificação, e passou a competir na classe F52. No Parapan de Lima, em setembro, bateu pela primeira vez o recorde mundial. No mês seguinte, em uma etapa do Brasileiro, superou sua marca, atingindo 16,67 metros, resultado que garantiu sua vaga para Tóquio-2020.

"Estou muito feliz com os resultados. "Quem sabe vem aí um recorde. Só de estar aqui em Dubai... Quero levar uma medalha para o Brasil, já será um grande feito", comentou. Beth competirá na manhã do dia 14, madrugada do dia 13 no Brasil. Por ser primeira do ranking, disputará direto a final sem ter de passar pelas eliminatórias. Sua prova está marcada para  às 2h (de Brasília).

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