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Antero Greco
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Acorda, Timão!

Não sou chegado ao papo de deuses do futebol, à bola que pune e a coisas do gênero. Nem supersticioso. Isola, pé de pato, mangalô três vezes! Mas tem treco esquisito no Mineirão, desde que passou por tremenda cirurgia plástica pro Mundial. Algo no ar, no formato, na iluminação, sei lá, que funciona como armadilha para times tíbios, sem vibração e com a guarda baixa.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2014 | 02h04

Repare que, de uns tempos para cá, equipes que pisam no gramado impecável do Estádio Magalhães Pinto (se o nome oficial não mudou), sem muito ímpeto e controle, levam surras sem direito a atenuantes e saem cabisbaixas, macambúzias, eliminadas, humilhadas. De memória, e a minha não é nada excepcional, lembro do Olímpia na final da Libertadores de 2013, contra o Atlético, da seleção nos... bem, naquele jogo com a Alemanha em julho, e agora o Corinthians, pela Copa do Brasil.

O que o trio teve em comum? Alguns pontos. Um deles, a dose de presunção - se consideravam com mão na taça ou na vaga. A convicção de sucesso os fez relaxar - os paraguaios levaram de 2 a 0 e perderam o título nos pênaltis, o Brasil dava como certa a passagem para a decisão e o Corinthians sentou na glória, após abrir o marcador e acumular placar de 3 a 0. E todos, ao notarem o vigor do rival, ficaram prostrados, boquiabertos, apavorados. Caíram mais do que a Bolsa em meio a boatarias.

O novo Mineirão começa a virar palco adequado para quem se dispõe a jogar bem, pra frente, com energia e competência. Características que, assim como a honestidade, deveriam ser obrigatórias, corriqueiras e não vistas como qualidades excepcionais. Enfim, consagra os que não enrolam.

Em português claro e sem rococós: o Corinthians mereceu tomar a sova histórica do Galo. Faz tempo que tem estilo chocho, desbotado, um reco-reco que não empolga o Baldo, o dr. Felici, o Roberto da Wanda, nem a dupla fraterna Venâncio/Toninho Pé-gelado, uns fanáticos de carteirinha que resumem a paixão alvinegra. Um tédio só.

Raros os momentos vibrantes do Corinthians na atual temporada. Ou, pra ser justo e não parecer má vontade com o Mano Menezes, esporádicos os episódios empolgantes que proporcionou desde dezembro de 2012, quando bateu o Chelsea e conquistou o Mundial de Clubes no Japão. De lá pra cá, parece que bastaram os louros, que murcharam assim como a vontade.

O ano de 2013 não acrescentou nada - mas os tropeços foram superados pelo estado de beatitude com as alegrias precedentes. O estalo veio mais ou menos nesta época, quando fugiu a Copa do Brasil e no Brasileirão o Timão fazia figuração. O alarme soou no Parque e Tite, delicadamente, foi convidado a reciclar-se. Houve a encenação de abraços de dirigente pra cá, agradecimentos emocionados do técnico pra lá. Sobrou, pra valer, a sensação de que seria necessária reformulação para 2014.

Daí entra em cena Mano. O consenso sinalizava para o retorno de um profissional identificado com o clube, responsável pela reconstrução na Série B de 2008 e outros sucessos. Escolha natural - que não vingou.

Mano limpou a área, como era desejo da cartolagem, recebeu novos jogadores, com a esperança de remontar o time e recolocá-lo no prumo. Não deu certo no Paulistão, mas ok, tudo bem, era início de ano. Também não funcionou na Copa do Brasil (e o susto diante do Bragantino nas oitavas?) e no Brasileiro o Corinthians é o rei dos empates.

O que ocorre? Os jogadores incorporaram a mentalidade de brigar por vantagem mínima? Não se livram da síndrome do "jogar com o regulamento"? Tite e Mano têm a ver com isso. Mas só eles? Faltam desafios? Bastidores andam agitados?

Um pouco de tudo isso. A defasagem corintiana escancarou-se diante de um Atlético que se lançou à frente, a acreditar no milagre da superação e na recompensa pela ousadia. O prêmio veio com os 4 a 1, sem nenhum reparo ou contestação.

O Corinthians dorme no ponto há quase dois anos. Acorda, pessoal!

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