Acordo para garantir a paz?

Governo chinês e Al-Qaeda teriam feito acerto, escreve jornalista francês em polêmico livro

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

26 de fevereiro de 2008 | 00h00

Um livro recém-lançado na Europa abre nova polêmica sobre os Jogos de Pequim. De acordo com a obra do jornalista francês Roger Faligot, o governo chinês teria negociado um "acordo de paz" com o grupo terrorista Al-Qaeda para que nenhum atentado seja cometido durante a Olimpíada. O teor de seu documentário provoca grande repercussão na Europa e na Ásia e irritação do governo chinês, que nega as informações.Em seu livro O Serviço Secreto Chinês, Faligot aponta para um entendimento que promete ser polêmico, caso confirmado. As relações do governo chinês com os movimentos islâmicos são antigas, escreve. Em 1979, Pequim enviou armas para que o Afeganistão pudesse resistir à invasão soviética. Hoje as relações secretas com o Taleban ainda seriam cordiais. No Paquistão, a embaixada chinesa conta com um representante militar responsável por lidar com esses movimentos. Trata-se de Kong Jining, neto de Mao Tse-tung. Para o jornalista francês, o fato revela a importância que Pequim dá para a região. As primeiras negociações em relação aos Jogos Olímpicos, de acordo com o texto de Faligot, teriam ocorrido em 2006, quando Pequim entrou em diálogo com o grupo Al-Qaeda para evitar as mortes freqüentes de trabalhadores chinesas no Paquistão e no Afeganistão. Segundo a obra, baseada em arquivos de diferentes serviços de inteligência, as negociações ocorreram em província paquistanesa e acabaram em um acerto de que os eventos em Pequim, em 2008, não seriam alvo de atentados. O Guoanbu, espécie de CIA chinesa e que contaria com 2 milhões de espiões e funcionários, não economiza recursos para evitar problemas com os Jogos. Para a Olimpíada, o serviço secreto criou um departamento especial que irá contar com orçamento de US$ 1,3 bilhão para garantir a segurança. Internamente, os chineses querem evitar que opositores ao regime aproveitem os Jogos para promover manifestações contra o governo, como a que ocorreu na Praça Tiananmen, em 1989, ou mesmo ataques por parte dos tibetanos ou pela minoria muçulmana ouigours. O AUTORO francês Roger Faligot é jornalista desde 1973 e sempre dedicou-se a trabalhar com investigação. Fez reportagens para vários dos principais jornais europeus e escreveu mais de 30 livros.

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