Acosta leva um puxão de orelhas do COI

O Comitê Olímpico Internacional (COI) mandou um aviso ao presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), o mexicano Rubén Acosta: os princípios da Carta Olímpica protegem o direito de competir dos atletas. O COI deixou claro, hoje, que não apóia a iniciativa da FIVB de suspender a seleção da Argentina dos eventos internacionais. Acosta será advertido, por escrito, sobre "os princípios fundamentais da Carta Olímpica", entre eles o direito dos esportistas de competirem "sem nenhum tipo de discriminação". Nesta temporada, a FIVB excluiu a Argentina do Pan-Americano de São Domingos e da Liga Mundial. Os jogadores vem sendo punidos por causa dos desentendimentos entre o ex-presidente da Federação de Vôlei da Argentina, Mario Goijman, e Rubén Acosta. Goijman foi expulso da FIVB em maio, "por faltas graves e repetidas" contra o código de conduta e violação de contratos referentes ao Mundial da Argentina, em 2002. Goijman foi acusado de ter feito contratos de patrocínio que não seriam de sua competência. Respondeu com várias acusações a Acosta, que acabaram parando na Justiça comum. A Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), presidida pelo mexicano Mario Vázquez Raña, considerou que os atletas não deveriam sofrer conseqüências de problemas federativos e apresentou queixa à Comissão de Ética do COI. "O Comitê Executivo aprovou a recomendação de sua Comissão de Ética de recordar à FIVB sua obrigação de respeitar os princípios fundamentais da Carta Olímpica, em particular o direito de praticar esportes garantido aos atletas sem discriminação de nenhum tipo. Isso poderá ser feito mediante uma carta enviada pelo COI (à FIVB)", divulgou o Comitê, em comunicado oficial. Troca de esportes - Nos bastidores, o presidente do COI, Jacques Rogge, trabalha para modificar a Carta Olímpica e tornar mais fácil excluir esportes do programa dos Jogos. Em 2002, o dirigente já havia apresentado uma proposta para retirar do evento o pentatlo moderno, o softbol e o beisebol, mas encontrou forte resistência. Pela Carta atual, a exclusão de um esporte precisa ser aprovada em votação por dois terços dos membros do COI. A regra também exige o comunicado da exclusão com sete anos de antecedência. "O que o presidente quer é acabar com o prazo de sete anos e mudar o sistema de aprovação para maioria simples", disse um membro do COI, que não quis se identificar. Rogge já deixou claro que os Jogos Olímpicos atingiram a capacidade máxima, com 28 esportes, 300 eventos e 10,5 mil atletas. Também não é nenhum segredo que ele gostaria de incluir o golfe e o rúgbi no programa olímpico.

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