Acredite, se quiser

A vida é uma contradição permanente - e o esporte não foge à regra. Sobretudo o futebol, o mais imprevisível de todos. Na crônica de segunda-feira, sob o título "Isto é incrível", eu falava da inusitada convivência entre Palmeiras e Corinthians na parte de baixo da classificação do Campeonato Brasileiro. Com um mirrado pontinho em quatro apresentações, os velhos rivais dividem a lanterna - que, se espera, seja temporária.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2012 | 03h06

Três dias depois da rodada de fim de semana da Série A, eis que os insólitos parceiros vão a campo, novamente, agora na condição de visitantes, em desafios delicados de fase semifinal de competições importantes. Apontá-los como favoritos era temeridade, especialmente o Palestra, em contínua ebulição e que tinha a missão de desbancar, no Olímpico, o estável Grêmio de Vanderlei Luxemburgo. A parada alvinegra também era indigesta, pois cruzaria armas com o Santos na Vila Belmiro. Se bem que, nesse caso, as equipes se equivalessem, não havia disparidade acentuada.

Os resultados você conhece de sobra, e, se torce para algum dos dois, teve tempo até para tirar onda com os rivais: corintianos e palmeirenses voltaram para casa a um passo de finais, seja da tão desejada conquista da América, seja da cobiçada Copa do Brasil, aquela que para muitos conta por ser o "caminho mais curto para a Libertadores" e não por representar um título, uma oportunidade de dar volta olímpica, outro troféu para o acervo; enfim, um momento de glória. Bom, cada um curte a sua maneira.

A dupla mereceu inverter expectativa e empurrar para os adversários o peso da superação no confronto de volta, em menos de uma semana. A começar pelo Palmeiras, que desembarcou em Porto Alegre mais desacreditado que político enrascado em CPI. Felipão aprontou uma peraltice tática pra cima de Luxemburgo, com o deslocamento de Henrique da zaga para o meio-campo. Um movimento simples, um ovo de Colombo.

O rapaz deu conta do recado, liberou Marcos Assunção e Daniel Carvalho, confundiu a marcação gaúcha. Some-se a isso entrega acima da média, duas falhas dos anfitriões quase em cima da hora, e a consequência foi o placar de 2 a 0. Inacreditável, nas circunstâncias atuais! Nem o mais fanático palestrino esperava por essa. Tomo como termômetro o Nilsão Pasquinelli, diagramador do Estadão e com sangue verde nas veias. Estou pra conhecer fã mais ardoroso do que ele. Pois não é que desfilava ontem à tarde pela redação com sorriso deste tamanho e com cara de quem pede "me belisque pra eu acordar"?

Sonho também vive o fiel seguidor do Corinthians. O time mostra maturidade para finalmente alcançar glória que Santos, Palmeiras, São Paulo já viveram. O comportamento de anteontem revelou que Tite passou à perfeição para seus jogadores o sentimento do coletivo. Não há brilharecos individuais, sobressai o conjunto. Na base da vitória apertada, aqui e ali, supera etapas e se coloca a um empate de jogar sua primeira decisão continental. O único senão ficou com Emerson, que tentou dar uma lição para Neymar e levou vermelho.

Etapas superadas? Não, nem para quem venceu, nem para os perdedores. Grêmio e Santos têm consciência de que se deparam com obstáculos duros. Embora, na teoria, não são absurdas as diferenças a serem anuladas. A questão se concentra no astral que a partir de anteontem envolve Corinthians e Palmeiras. Os dois se encheram de confiança - e a cidade, por ora, voltou no tempo em que alvinegros e alviverdes davam as cartas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.