Acusado de premeditar morte, Pistorius nega intenção

Oscar Pistorius apresentou nesta terça-feira, em audiência realizada na cidade de Pretória, na África do Sul, a sua versão da morte da modelo Reeva Steenkamp e garantiu que atirou em sua namorada por engano, pensando que se tratava de um ladrão. O promotor Gerrie Nel, porém, o acusa de premeditar o assassinato.

AE, Agência Estado

19 de fevereiro de 2013 | 10h40

"Fui informado de que estou sendo acusado de assassinato. Eu nego essa acusação. Nada pode estar mais distante da verdade do que eu ter planejado o assassinato da minha namorada", declarou Pistorius, em um depoimento lido pelo seu advogado, Barry Roux, na audiência de fiança.

O atleta biamputado sul-africano afirmou que se sentiu vulnerável porque não estava com as suas próteses de pernas quando atirou na porta do banheiro trancada. Pistorius disse que agiu após perceber que a sua namorada não estava em sua cama e ouvir um barulho vindo do banheiro. Em seguida, ele, de acordo com sua versão, colocou suas próteses de pernas, tentou chutar a porta e depois a arrombou com um bastão de críquete e encontrou Steenkamp baleada dentro. O atleta disse que correu pela escadas com sua namorada, que "morreu nos seus braços".

"Voltei para a cama e Reeva não estava lá. Então percebi que poderia ser ela lá. Abri a porta do banheiro e ela estava jogada no chão, estava viva. Coloquei as próteses. Liguei para os paramédicos, e tentei levá-la ao hospital. Tentei salvar Reeva, mas ela morreu nos meus braços", declarou.

Nel, que acusou Pistorius de premeditar o assassinato, acredita que o atleta fez disparos contra a porta de um banheiro onde sua namorada estava encolhida, após uma discussão na semana passada, na madrugada de quarta para quinta-feira, e atingiu três vezes Steenkamp. "Ela não podia ir a lugar algum, não podia correr", afirmou Nel durante a audiência desta terça.

A morte de Steenkamp na casa do atleta chocou os sul-africanos e o mundo do esporte, que idolatravam Pistorius por ter superado as adversidades de ser biamputado para se tornar um campeão, tendo competido nos Jogos Olímpicos de Londres no ano passado.

Nel disse que o casal teve uma discussão e Steenkamp foi para o banheiro, por uma passagem de sete metros, e se trancou no local. Segundo ele, Pistorius levantou-se da cama e teve de colocar suas próteses para chegar à porta do banheiro.

O promotor disse ao tribunal que a porta foi arrebentada pelos tiros disparados, mas o advogado do atleta afirmou que não há evidências que sustentem a acusação de assassinato. "Foi para matá-la ou para tirá-la de lá?", questionou Roux, referindo-se à porta quebrada. A defesa afirma que Pistorius não sabia que a namorada estava no banheiro.

De acordo com a polícia, os vizinhos disseram que ouviram uma discussão e, em seguida, os disparos. O casal estava junto havia apenas três meses. O promotor afirmou que o assassinato foi premeditado porque Pistorius havia planejado dizer que achava que estava atirando em um intruso e afirmou isso a sua irmã, Aimée. "Foi tudo parte do plano. Por que um invasor se trancaria num banheiro?", questionou Nel.

O advogado de defesa argumentou que Pistorius deve ser libertado sob fiança e que não há outras acusações pendentes contra o atleta. De acordo com especialistas, pode demorar meses até que o caso seja julgado.

Aos 26 anos, Pistorius é um ídolo sul-africano e ícone do esporte. No ano passado, em Londres, ele se tornou o primeiro atleta biamputado a disputar uma edição da Olimpíada, tendo representado a África do Sul nas provas dos 400 metros e do revezamento 4x400 metros. Nos Jogos Paralímpicos, ele conquistou oito medalhas em três edições do evento, sendo seis de ouro.

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