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Antero Greco
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Adeus às zebras

Zebras no futebol são bem-vindas, pois quebram a rotina e invertem a lógica. Causam surpresas, abalam convicções e provocam polêmicas. Enfim, agitam. Mas, no caso do Paulistão de 2015, não tiveram voz. Ponte, Red Bull, Botafogo e XV de Piracicaba não passaram de sparring para Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos. O quarteto mais forte do Estado permanece na corrida pelo título, no torneio mais óbvio dos últimos anos.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2015 | 02h04

A turma poderosa segue em frente com méritos, mesmo com alguns deslizes, como na abertura, no sábado à tarde. O Corinthians sustenta a melhor campanha geral, tem equilíbrio e eficiência como marcas registradas, mas recebeu ajuda adicional da arbitragem, que anulou gol legítimo da Ponte no sábado à tarde. Caso clássico de erro que interferiu no resultado, porque o placar final apontou apenas 1 a 0.

O São Paulo não teve muito abalo para despachar o combativo Red Bull, no embalo do sábado à noite. Levou sobressaltos no início, mas desmontou o adversário com gols de Rogério Ceni, Pato e Ganso. O grupo correu como um bocado, como não fazia nos derradeiros dias da passagem de Muricy Ramalho no comando. O interino Milton Cruz baixou a poeira no Morumbi.

O Palmeiras por pouco não pagou a conta da inoportuna parceira de última hora entre FPF e Crefisa, por acaso também sua patrocinadora. A arbitragem do duelo com o Botafogo, ontem pela manhã, no Parque, foi tão zelosa para mostrar-se neutra que esteve a ponto de prejudicar de maneira irreversível o destino do time da casa.

O vacilo ocorreu em dois lances: ao não dar pênalti sobre Dudu e ao ignorar impedimento em lance perigoso do Bota. O Palmeiras venceu com gol de Leandro, em jogada que contou com participação importante de Valdivia, na construção, e de Lucas no cruzamento. Resultado correto, já que os palestrinos tomaram a iniciativa do princípio ao fim. Oportuna a entrada do chileno, que melhorou o ritmo do time dele.

O Santos não deu bola para o XV à tarde, na Vila. Teve, até, certa displicência, tamanha disparidade de qualidade entre ambos. O placar de 3 a 0, construído com dois pênaltis (bem anotados), veio com naturalidade. Robinho e Ricardo Oliveira cravaram as cobranças e Lucas Limas fechou. Nítida a opção santista de pegar leve. Não era necessário exagerar, sobretudo porque na semana tem jogo classificatório pela Copa do Brasil, com o Londrina, em casa.

Calendário. Eis aspecto que pode ter alguma influência nos dois clássicos das semifinais - também em confronto único, só de ida, como previsto no estranho regulamento do Paulistão de tantas rodadas inúteis. Três concorrentes contam com programação intensa - em partidas decisivas. O Palmeiras folga, tem tempo livre para descansar, treinar, testar alternativas.

Isso significa vantagem para Oswaldo de Oliveira e rapazes? Na teoria, sim. Na prática, evidentemente, a história pode ser outra, pois toparão com um Corinthians embalado e com retrospecto formidável no Itaquerão, de apenas uma derrota.

Mas é bom levar em consideração que os corintianos enfrentam o San Lorenzo na quinta-feira, na rodada em que devem consolidar vaga para as oitavas de final da Libertadores. A trupe de Tite sobra no grupo, atuará como mandante e só por catástrofe ficará pelo meio do caminho. Mas terá de dividir-se entre esses compromissos, o que significa desgaste extra. A não ser que o técnico resolve recorrer aos reservas. O trabalho de Oswaldo será o de encontrar substituto para Zé Roberto, contundido, e opções para os suspensos.

O Santos topa com dilema semelhante ao do Corinthians: é melhor do que o Londrina e joga por empate. Mas vai de titulares ou mistão? Dá prioridade à Copa ou ao Estadual? Saída que não cabe ao São Paulo. A parada com o Danubio, no Uruguai, é de vida ou morte, com o perdão do lugar-comum. A vitória pode deixá-lo a um passo da classificação. Força máxima em campo. E, no fim de semana, seja o que Deus quiser.

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