Adhemar fez ponta no cinema em 1959

Além dos feitos no atletismo, Adhemar Ferreira da Silva tem em seu currículo a participação no filme que em 1959 ganhou a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de produção estrangeira ? quer dizer, as duas maiores distinções do cinema internacional. Ele faz um pequeno papel em Orfeu do Carnaval, drama musical ambientado no Brasil, mas dirigido por um cineasta francês, Marcel Camus. O filme é a adaptação cinematográfica da peça teatral Orfeu da Conceição, de Vinícius de Morais, e conta com uma trilha sonora de sonho, com músicas de Tom Jobim e Luiz Bonfá. Foi de Vinícius a grande sacada de adaptar o mito de Orfeu para os morros cariocas e trabalhar com elenco formado exclusivamente por atores negros. Camus encantou-se com a idéia original e tranformou-a nesse filme de sucesso. O papel de Adhemar Ferreira da Silva, embora pequeno, é fundamental para o desenvolvimento da trama. Ele é a Morte, a entidade que se interpõe entre o amor nascente de Orfeu por Eurídice. O trabalho de Adhemar no filme depende mais de sua agilidade física do que de seu suposto talento dramático. Ele atua o tempo todo mascarado e persegue a pobre Eurídice pelas vielas de uma favela e depois durante um desfile de carnaval. Em dado momento, enfrenta-se com Orfeu, que defende a amada com a faca na mão. O curioso é que Orfeu, o principal papel masculino da obra, é interpretado por outro atleta, Breno Melo, até então inexperiente no palco ou no cinema. Breno era jogador do Fluminense e foi convidado para fazer um teste quando o diretor o viu num rua do Rio de Janeiro.

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