Felipe Saad
Doda vai poder disputar uma vaga na equipe que irá a Tóquio. Felipe Saad

Adiamento em razão da pandemia recoloca os Jogos de Tóquio nos planos de Doda

Cavaleiro não conseguiria participar da Olimpíada este ano, por causa de uma contusão, mas ganhou alento com troca de data

Vinicius Saponara, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2020 | 05h00

Um dos atletas brasileiros com maior número de participações em Jogos Olímpicos, o cavaleiro Alvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, não tinha esperanças de ir à Tóquio neste ano para disputar a sexta Olimpíada de sua carreira. Tudo por conta de uma lesão no quadril sofrida em 2019. Mas aí veio o adiamento do evento para 2021 por causa da pandemia do novo coronavírus e a oportunidade reapareceu.

Fora da seleção desde o final dos Jogos do Rio-2016, quando fez parte do time quinto colocado nos saltos e ainda ficou em nono lugar no individual, Doda revela que por causa da contusão o plano passou a ser a Olimpíada seguinte, em Paris, daqui quatro anos, mas agora vê uma chance de ir a Tóquio.

"Meu plano olímpico era inicialmente Paris-2024, mas com o adiamento passo a ter uma chance de disputar uma vaga olímpica para Tóquio. Estou treinando muito, mas, caso venha a ser selecionado, somente irei se sentir que poderei ajudar muito minha pátria que tanto amo", disse o cavaleiro, em entrevista ao Estadão.

A seleção brasileira, sem Doda, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019, no Peru, garantindo uma vaga em Tóquio - o time na ocasião foi formado por Pedro Veniss, Marlon Zanotelli, Eduardo Menezes e Rodrigo Lambre. Com o adiamento da Olimpíada, a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) ainda não confirmou quem ocupará as vagas para a equipe de saltos.

Doda conta que, caso consiga um lugar na seleção para os Jogos que serão disputados no Japão, poderá passar mais de sua experiência. "Há naturalmente um desejo pessoal de realização e me sinto de certa forma obrigado a compartilhar minha experiência, que não se resume nas seis Olimpíadas e três Pan-Americanos que participei e nas medalhas que ganhei. Todos os grandes cavaleiros e amazonas internacionais são mestres na arte da equitação e acredito que meu currículo me credencia formar atletas olímpicos", afirmou.

"O Brasil vai estar sempre entre os seis países para disputar medalhas em Jogos Olímpicos, principalmente em Tóquio. O hipismo do Brasil vai chegar com a mesma força que entrou no Rio-2016, quando terminou em quinto lugar, com a diferença que agora ganhou mais moral, com as duas medalhas de ouro no Pan-Americano de Lima", completou.

O cavaleiro, que morou na Europa de 1995 a 2016, deixou de integrar a seleção brasileira em apenas duas ocasiões nestes 21 anos: nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, disputados em 2007, e de Toronto, no Canadá, em 2015. Com isso, tornou-se o brasileiro que mais representou o País na modalidade na soma de Jogos Pan-americanos, Mundiais e Olimpíadas, com um total de 15 participações.

Doda tem entre os momentos mais marcantes de sua carreira a medalha de bronze por equipe nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, nos Estados Unidos, e a de Sidney-2000, na Austrália.

Também é medalhista de ouro, por equipe, nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, em 1999; bronze no Pan de Santo Domingo, na República Dominicana, em 2003; e prata no Pan de Guadalajara, no México, em 2011.

O cavaleiro ganhou também o Prêmio Brasil Olímpico, dado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), como o melhor no hipismo em 2003, 2012 e 2013.

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