adidas/Divulgação
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Adidas aposta no mercado brasileiro de corrida de rua e vê potencial de crescimento

Alberto Uncini Manganelli,  gerente-geral da empresa alemã, reforça a  importância das novas tecnologias para os atletas de elite e corredores em geral

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2022 | 20h00

O Brasil tem sido um mercado atrativo para as marcas que investem em produtos para a corrida de rua. Quando a pandemia de covid-19 deu um respiro no País, muitas pessoas deixaram o isolamento e procuraram fazer atividades físicas ao ar livre. Entre os esportes preferidos estão andar de bicicleta, os esportes de areia (tênis e vôlei), que viraram febre em São Paulo, e a tradicional corrida de rua.

"Estamos vendo cada vez mais pessoas interessadas em correr", diz Alberto Uncini Manganelli, gerente-geral de corrida na adidas. Esse executivo italiano esteve no Brasil para reforçar a importância do mercado nacional para a marca e conversou com o Estadão sobre as novas tecnologias que a empresa está produzindo para os calçados e contou até detalhes das ativações que fará na Copa do Mundo do Catar.

Qual a importância do mercado brasileiro para a adidas?

É super importante para a gente por diferentes razões. A primeira é tanto pelo tamanho quanto pela possibilidade de crescimento, pois com certeza é um dos cinco países no mundo que estamos focados como um mercado específico. Outra razão é que tem uma enorme herança esportiva, é uma vivência que vem desde quando você é criança. Então existe uma conexão entre as pessoas e as atividades físicas como em nenhum outro lugar. E em terceiro lugar é um mercado que relaciona saúde e beleza, o que é uma enorme tendência e vemos o Brasil muito forte nisso. Por tudo isso, é um país muito importante para a gente.

Estamos em uma pandemia de covid-19 e que parece ainda não dar trégua. Como foi esse período para a empresa?

Tem sido um período muito desafiador para todos nós e temos procurado trabalhar de maneiras diferentes, tendo uma atenção especial ao lado humano neste momento que é complexo para todos. Do ponto de vista do negócio, lojas fecharam, houve problema de fabricação na Ásia, e tudo isso colocou muita pressão em nossa organização. Foi difícil manter nossa habilidade de atingir os consumidores.

O coronavírus teve impacto na corrida de rua?

Acredito que teve um impacto global. Não somente nas competições ou para desenvolvimento pessoal, mas teve a entrada de um componente de saúde. Mais e mais pessoas colocaram o foco nisso por diferentes razões, mas principalmente por causa do bem-estar. Agora começamos a ver mais pessoas interessadas em correr.

Como transformar a corrida de rua em uma experiência para as pessoas?

Em geral sabemos que o ato de correr traz muitos benefícios, físicos, mentais e emocionais. É bom para a saúde do corpo e para a saúde mental. Somos uma marca muito comprometida em transformar a vida das pessoas, então para a gente a pandemia permitiu uma brecha de oportunidade para as pessoas praticarem esportes. No Rio e São Paulo, por exemplo, temos grandes comunidades que ajudam as pessoas a serem parte do esporte em uma jornada para evolução. Queremos facilitar essa transição esportiva das pessoas.

Esses últimos meses foram importantes para a adidas do ponto de vista da tecnologia do calçado. O quanto o sistema com fibra de carbono pode evoluir?

Isso está indo muito bem. Em 2021 fomos capazes de transformar sucesso em esporte. Foram sete recordes mundiais quebrados em um ano, em diferentes provas, graças ao sucesso do Adios Pro 2, e tivemos 54% das vitórias com nossos atletas nas 50 corridas mais conceituadas. Isso é algo sem precedentes. E tudo isso ocorreu por causa da inovação. Estamos elevando o nível. Estamos muito satisfeitos por trazer tudo isso para nossos consumidores, que possuem diferentes níveis de habilidade. Estamos utilizando essa inovação para permitir que mais pessoas façam parte de tudo isso, é como democratizar o acesso às novas tecnologias.

Esse sistema pode ser incorporado também em outros tipos de calçados de alta performance, como para velocistas ou jogadores de futebol?

Todas essas inovações são criadas, primeiramente após entender o que os atletas precisam, garantindo que façam a diferença em qualquer tipo de distância. E obviamente essas inovações são traduzidas depois para outras modalidades. E não só no esporte. Temos um compromisso de ajudar as pessoas, qualquer que seja seu nível de habilidade, e é isso que pode mudar a vida de uma pessoa. Nós nunca paramos nossas pesquisas. Começamos anos atrás e continuamos, é um processo contínuo. A chave da inovação é poder aplicar a diferentes consumidores.

Quais são os objetivos para 2022?

Nosso objetivo é sempre o mesmo: mudar a vida das pessoas através do esporte. E com isso temos os atletas, que estamos ajudando a vencer como nunca ocorreu antes. O compromisso é trazer as ideias de inovação para mais pessoas e no final da jornada ter uma plataforma para as pessoas crescerem e se aprimorarem. Essa é nossa ambição.

Um segmento que tem crescido muito é o de mulheres praticando corrida de rua. A adidas tem foco nelas também?

Há alguns anos começamos a desenvolver produtos específicos para mulheres, com testes feitos por mulheres, escaneando os pés femininos e adaptando aos corpos delas. Usamos a biomecânica do corpo feminino.

Obviamente que para a adidas este ano é importante também por causa da Copa do Mundo de futebol. Teremos muitas novidades?

Os Jogos Olímpicos foram incríveis e tivemos muitos atletas vencendo de várias maneiras. É uma competição que é fonte de inspiração para qualquer um. O mesmo serve para a Copa do Mundo, que reforça a paixão dos torcedores. É outro momento importante para a gente.

Muito se fala da bola da Copa. Você já viu a que será usada no Catar no final do ano?

Eu vi a bola, ela é fantástica. Logo você poderá ver toda a inovação que ela carrega, será um momento incrível. É uma oportunidade de mostrar nossa inovação e mostrar o quanto elevamos o nível no esporte.

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