Adilson pretende ser o filho ingrato

No jogo que vale a liderança provisória ao São Paulo, treinador reencontra o clube que o revelou para o futebol

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2011 | 00h00

Adílson Batista vai desempenhar hoje, no Morumbi, às 18h30, o papel de filho ingrato. Com uma relação íntima com o Atlético-PR, o técnico, que há 49 dias estava do outro lado, necessita de uma vitória para colocar o São Paulo na liderança do Campeonato Brasileiro.

A relação com o rival vai muito além da passagem recente (e curta) pelo clube. Natural de Adrianópolis, cidade que fica a 130 km da capital Curitiba, Adílson foi revelado nas categorias de base do Atlético, tornando-se profissional em 1986.

"Não tenho nada o que falar do Atlético. Sou muito grato ao clube. Aqui está sempre um atleticano, que respeita, gosta e tem consideração pelo clube que me abriu as portas desse mundo maravilhoso do futebol", comentou ao ser perguntado sobre sua saída nada amigável depois da derrota para o Bahia, no dia 25 de junho.

"É futebol. Tentei dar um padrão, melhorar o time e não consegui. Mas não vou ficar reclamando que faltaram contratações, disso e daquilo."

O treinador explicou que só aceitou o convite do Atlético porque foi um pedido do então diretor de futebol, Valmor Zimermann, que havia sido presidente do clube quando Adílson era um zagueiro promissor.

A queda do dirigente no começo de maio quase fez o técnico pedir demissão. "Na sua saída, quase fui junto, mas o Atlético estava vivenciando os jogos da Copa do Brasil contra o Vasco", contou Adílson, que ficou um pouco mais de um mês no cargo depois do episódio.

A frustração pela curta passagem não diminuiu o apreço pelo clube. "Sou sócio, torcedor e tenho uma cadeira lá", afirmou, referindo-se à Arena da Baixada, casa do Atlético.

É uma situação parecida com a que viveu Muricy Ramalho em sua passagem pelo São Paulo. Algumas vezes, o técnico enfrentou o Náutico, clube do qual é conselheiro. Coincidentemente, sempre que jogou em Recife, o técnico não venceu.

Adílson vê o Atlético brigando para não ser rebaixado à Série B, mas, se depender dele, o clube paranaense vai continuar em situação delicada. "Fiz o meu melhor lá e agora quero fazer o meu melhor aqui."

Pela ponta. O objetivo é voltar à liderança. A última vez que o São Paulo ocupou o lugar mais alto da tabela foi na 6ª rodada, perdendo o posto depois da derrota para o Botafogo por 2 a 0 em pleno Morumbi.

"É uma nova oportunidade. Vamos procurar fazer um bom jogo para ir atrás dessa liderança, que será muito importante", afirmou Adílson.

O São Paulo, que está dois pontos atrás de Corinthians e Flamengo, precisa vencer e, amanhã, secar os concorrentes, que enfrentam Ceará e Figueirense, respectivamente, no Pacaembu e no Orlando Scarpelli, em Florianópolis.

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