Tasso Marcelo/AE - Arquivo 11/10/2005
Tasso Marcelo/AE - Arquivo 11/10/2005

Adriana Behar elabora projeto em defesa das mulheres no esporte

Única representante do Brasil em comissão do Comitê Olímpico, ex-jogadora de vôlei de praia quer mais flexibilidade

Silvio Barsetti - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

21 Julho 2012 | 12h56

LONDRES - Medalhista de prata no vôlei de praia em Sydney 2000 e Atenas 2004, Adriana Behar, a representante do Brasil na Comissão de Mulheres do Comitê Olímpico Internacional (COI), elabora um novo projeto, a fim de criar um grupo similar, no Brasil. Atenta à participação feminina nos Jogos, defende regras mais flexíveis, e consensuais, para que questões culturais e religiosas não impeçam a presença de novas atletas nos Jogos. Em Londres, ela se dedica a uma tarefa que também requer muito fôlego: está como chefe de missão de seis modalidades. Passa o dia resolvendo questões de logística para as equipes de remo, handebol, levantamento de peso, tiro com arco, canoagem slalom e de velocidade. "Meu dia tem muito mais que 24 horas, mas é incrível"

 

O vôlei acabou com a obrigação do uso de biquínis para as atletas no vôlei de praia, Como viu essa decisão?

 

Vejo o esporte como interação, como um exercício de compreensão entre os países. Há os que não autorizam a exposição do corpo feminino e isso deve ser levado em consideração, a fim de que as mulheres possam participar de grandes eventos.

 

A Fifa proibiu manifestações religiosas, culturais, no uniforme de atletas, o que levou o time de futebol feminino do Irã a sair do pré-olímpico.

 

Isso é delicado. Temos as regras do mundo esportivo e olímpico e há várias situações específicas que envolvem países bem diferentes. Sou a favor de tentar o meio termo. Buscar o que pode ser negociável para todos os lados. Defendo que haja sempre mais oportunidades.

 

Arábia Saudita, Brunei e Catar eram até os únicos dos 205 países filiados ao COI que não tinham enviado mulheres para os Jogos. Agora, estarão representados. Isso sinaliza algo?

 

Com certeza. Para o Brasil, que tem um equipe bem dividida entre homens e mulheres, o fato não chama à atenção. Mas, muitas vezes, a ida de uma única mulher de um país para os Jogos não só quebra paradigmas, mas pode representar o início de mudanças radicais e fantásticas que podem afetar diretamente a qualidade de vida de milhões de mulheres.

 

Iziane, do basquete, foi cortada ontem do grupo em Londres por indisciplina. A ginasta Jade Barbosa não veio para os Jogos por causa de questões contratuais. Como interpreta a relação dos atletas com a Olimpíada?

 

É frustrante perder essa oportunidade. É algo que marca a carreira dos atletas e isso fica registrado até o fim da vida. Muitas vezes não há uma segunda chance. Fiquei triste com esses episódios. Todos têm de se cuidar cada vez mais, evitar riscos.

Mais conteúdo sobre:
olimpíadaAdriana BeharCOI

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.