Adriano desabafa e diz que não usa drogas

Atacante fala pela primeira vez após confusão com a namorada e afirma não temer ficar fora do Mundial. ''Estou muito tranquilo'', garantiu

Leonardo Maia, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

Depois de uma semana de silêncio e muita controvérsia, Adriano falou. Não fugiu de nenhuma pergunta durante entrevista coletiva, ontem, de quase 30 minutos. O atacante se diz uma "pessoa calada, fechada" e, quando fala, transmite sinceridade. Só se mostra irritado quando abordado sobre o uso de drogas ilícitas, boatos que ligou ao preconceito por frequentar a favela onde nasceu. Quanto a estar na Copa da África foi taxativo: "Não tenho preocupação nenhuma." E negou que tenha, atualmente, problemas com bebidas. Confira os principais trechos:

DROGAS

"Se eu usasse drogas, seria pego no antidoping. Não posso tomar uma cerveja? De repente, é porque vou à favela e todo mundo associa: se vou lá, devo usar drogas. Nunca usei, nunca provei. Lá também tem coisas boas. Não vou deixar de ir. Esse assunto me deixa chateado. De repente chegam para o meu filho na escola e podem dizer que o pai é drogado."

COPA DO MUNDO

"Não temo sobre convocação. Sinceramente, não. As pessoas que me conhecem realmente sabem como sou. Estou tranquilo. Estou até feliz porque vi o tanto de gente que quer meu bem. Foi bom para abrir os olhos e ver quem está do meu lado."

PROBLEMAS COM ÁLCOOL

"Qual jogador não bebe cerveja? Isso é porque já vim de um problema no São Paulo e associam a isso. Se eu tivesse problema agora, não estaria mais jogando. Ele (Ricardo Teixeira, presidente da CBF) falou para não exagerar. Tem gente que toma 20 chopes e fica bem, outros tomam um copinho e já ficam embriagados. Foi um problema que já tive e não tenho mais."

DUNGA E JORGINHO

Dunga conversou comigo de modo geral. Pediu para tomar cuidado, me cuidar mais. O Dunga me conhece bem. O Jorginho me encontrou na praia. Falou que está comigo, que não está dando bola para o que está saindo, que dentro de campo eu reverto isso. Está tudo em paz."

PESO

"Meu peso ideal é 99 kg e engordei dois nesse tempo em que fiquei parado. Estou com 101. Sinceridade. Falaram que eu estava com 106. Não é verdade."

PATRÍCIA AMORIM

"Conversei com a Patrícia. É claro que ela tem a preocupação de saber o que houve. Ela falou que estava comigo. Colocou uma psicóloga à disposição. Até para eu desabafar, porque tinha muita coisa na minha cabeça. Sou uma pessoa muito calada, fechada. Precisava desabafar. Colocaram uma pessoa para eu colocar tudo para fora."

VONTADE DE PARAR

"Em nenhum momento senti vontade de parar. Só deu mais força. A gente cai para se levantar. Não penso em desistir porque seria uma decepção para minha família."

RELAÇÃO COM A IMPRENSA

''É preciso respeitar a privacidade. Eu também tenho família. Hoje estou falando aqui com vocês e amanhã vai sair de outro jeito. Por isso não venho mais. Não quero atrito."

BARRACO NA CHATUBA

"Aconteceu o episódio com a minha noiva. Não houve agressões. Ela estava certa, só queria o meu bem. Os jogadores queriam conhecer minha comunidade e ficamos lá umas 2h30. Qualquer mulher ia ficar preocupada. Ela chegou me empurrando, discutiu um pouco com o (goleiro) Bruno. Estava com medo porque não cheguei em casa na hora em que ela tinha determinado. Bom para aprender a chegar no horário."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.