Adriano nega ter dado moto a traficante

Adriano nega ter dado moto a traficante

Atacante diz à polícia que amigo fez a compra e afirma desconhecer que registro está em nome da mãe do criminoso

Gabriela Moreira / RIO, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

O atacante Adriano, do Flamengo, negou ontem à polícia que tenha presenteado com uma moto Hornet 600 o traficante Mica, da favela Vila Cruzeiro, onde ele foi criado. Em seu depoimento na 22.ª Delegacia de Polícia, na Penha (zona norte do Rio), o Imperador admitiu que pediu ao amigo Marcos José de Oliveira, a quem chama de Marquinhos, para comprar duas motos. De acordo com Adriano, uma delas seria registrada em seu nome e a outra no do amigo que fez a compra.

"Ele (Adriano) disse que comprou as motos (por meio de Marquinhos), mas afirmou que no dia do emplacamento viajou para a Itália e que desconhece que uma das motocicletas tenha sido emplacada no nome da mãe do traficante Mica", disse o delegado Jáder Amaral.

Mica é o apelido de Paulo Rogério de Souza Paz, que vem a ser o chefe do tráfico da Favela da Chatuba, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio.

Amaral, titular da 22.ª DP, informou que vai verificar a documentação das motos, para se certificar da veracidade do depoimento. "Se tudo for verdade, não há motivos para o indiciamento do jogador", disse.

Adriano confirmou que conhece o traficante, mas negou ter relação com o criminoso. "Disse que conheceu o Mica na infância e estudou com ele, mas afirmou que hoje em dia só o cumprimenta na favela, nada mais", contou o delegado, que já ouviu a mãe do traficante, Marlene Pereira de Souza, e o amigo que Adriano afirma ter sido o comprador das duas motos.

"A Marlene disse que é analfabeta e que não sabia da moto em seu nome"", revelou o delegado. "O Marquinhos confirmou que comprou uma moto para Adriano, mas disse que o responsável pela documentação foi um contador. Vamos ouvir esta pessoa para saber sua versão."

Durante o depoimento do atacante, cerca de 100 fãs e torcedores do Flamengo se concentraram na porta da delegacia. Na saída, Adriano foi ovacionado pela torcida aos gritos de "Uh, é Adriano!"" e "Uh, é o Imperador". O atacante chegou a parar dar alguns autógrafos, mas não deu entrevistas. A movimentação gerada em torno do depoimento do craque provocou interdições no trânsito local.

Por causa do depoimento, a diretoria do Flamengo liberou Adriano do treinamento de ontem. Hoje, porém, ele deve voltar às atividades normais com os demais jogadores, na preparação do Flamengo para o clássico de domingo com o América, pela Taça Rio.

PARA LEMBRAR

Série de reportagens do jornal O Dia, do Rio, descobre que uma moto Hornet 600 comprada por Adriano está registrada em nome de Marlene Pereira de Souza, mãe de Mica, chefe do tráfico da Vila Cruzeiro. Ela tem 64 anos, se diz analfabeta e não tem carteira de habilitação. Adriano, criado na Vila Cruzeiro, se cala sobre o caso, mas é convocado pela polícia para dar explicações.

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