Patrick B. Kraemer/EFE
Patrick B. Kraemer/EFE

Advogado de Cielo comemora decisão da CAS: 'não houve intenção de trapacear'

Howard Jacobs afirma que evidências a favor do brasileiro eram fortes no caso do doping

Valéria Zukeran, O Estado de S. Paulo

21 de julho de 2011 | 09h13

SÃO PAULO - O advogado de Cesar Cielo, Nicholas dos Santos, Henrique Barbosa e Vinicius Waked, Howard Jacobs, disse que ficou satisfeito com o resultado obtido para seus clientes porque as provas a favor dos nadadores eram muito consistentes. Flagrados no exame antidoping, Cielo, Nicholas e Henrique receberam apenas uma advertência da Corte Arbitral do Esporte (CAS), seguindo a decisão da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Vinicius, por ser reincidente, foi suspenso por um ano.

"A cafeína estava contaminada pela furosemida e não havia como os atletas terem feito isso. Eles foram cuidadosos no que eles fizeram, então mereciam a punição mínima e Cesar Cielo poderá competir na semana que vem", comemorou.

Jacobs contou que a cafeína consumida pelos nadadores foi testada no laboratório antidoping do Rio, que é credenciado pela Wada (Agência Mundial Antidoping, na sigla em inglês), e foi provado que as cápsulas estavam contaminadas pela furosemida.

"E tínhamos evidência de que a farmácia tinha manipulado uma receita com furosemida no mesmo dia, senão antes, da cafeína de Cielo. Então, as evidências eram fortes", explicou. Segundo ele, assim os árbitros concluíram que os atletas não poderiam ter feito nada para evitar o doping, afastando assim qualquer possibilidade de serem acusados de negligência.

"Basicamente, os árbitros concordaram que não houve intenção de trapacear, nem houve nenhum benefício atlético", ressaltou o advogado, que preferiu não comentar o fato de que a decisão do CAS possa vir a ser uma espécie de jurisprudência, uma tendência para julgamentos de casos semelhantes no futuro. "Difícil dizer porque só vou receber o texto da decisão em algumas semanas", afirma Jacobs, que classificou a situação de Cielo como "um caso especial".

Jacobs relatou que o campeão olímpico e mundial só concordou com a aceleração da audiência, com a concordância da Federação Internacional de Natação (Fina) porque tinha interesse em disputar o Campeonato Mundial de uma forma honrosa, sem que ninguém questionasse a sua credibilidade. "Agora ele pode competir com a consciência completamente tranquila por ter sido autorizado pela corte mais alta do esporte."

O advogado relatou que durante todo o processo de preparação para a audiência Cielo estava confiante, se bem que houve momentos de nervosismo por não saber ao certo o que a CAS decidiria. "Mas ele se manteve sempre muito otimista." Jacobs disse que Cielo deve nadar a prova dos 50 metros borboleta, a primeira da série de eventos que irá disputar no Mundial de Xangai. "E espero que ele possa deixar todos atrás dele."

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