Advogado de Garrido quer abrir processo

O advogado Fernando Prado pretende entrar com uma ação na Justiça Cível contra a Boxe Promotion e os patrocinadores da luta realizada entre Mário Gonçalves Soares, o Marinho, e Fábio Garrido, no dia 24 de abril no Hotel Unique, em São Paulo. Prado representa Fábio Garrido que, após ser nocauteado com dois uppers e um cruzado no nono assalto, foi levado para o Hospital São Paulo, onde ainda está. Ele passou por um processo de coma induzido, mas está se recuperando bem. Nesta sexta-feira teve alta da UTI e foi transferido para a enfermaria. A ação de Fernando Prado baseia-se no "princípio da desigualdade contratual" que ele garante estar previsto no Código Civil. "O evento envolveu R$ 6 milhões e a bolsa de meu cliente era de R$ 2.400. Isso é um absurdo. Com esse dinheiro, o meu cliente nem pôde se alimentar adequadamente, o que ocasionou um grande desnível entre os lutadores. O que nós estamos pedindo é que o Fábio Garrido receba um percentual a ser discutido desses R$ 6 milhões." Uma risada espontânea precede a resposta de Camila Rodrigues, secretária da Boxe Promotion e de Marinho. "Não tenho acesso a valores, mas com certeza o valor do evento e o valor da bolsa do Fábio não são esses. São muito diferentes. E o mais importante é que tudo que estava no contrato foi cumprido ao pé da letra", diz Camila. Ela não acredita que haverá uma ação contra Marinho. "Ele está em contato direto com o pai do Fábio e com outras pessoas da família. E, se a família não quer a ação, não haverá ação." Fernando Prado garante que haverá ação. "Já pedimos um prontuário médico ao Hospital, mas ainda não nos foi fornecido. Já foi comprovado pelos exames que o Fábio foi internado por causa dos golpes recebidos e não por bater a cabeça no ringue, como muitos afirmam. Agora, ele tem a carreira ameaçada, provavelmente não poderá lutar e não vai ficar desamparado. Isso eu garanto." O advogado tem críticas severas à organização do evento. Mostra o respiradouro que foi colocado no nariz de Garrido e o classifica como ultrapassado e ineficiente. "A demora para tirar o Fábio Garrido do ringue e colocá-lo em uma maca foi de mais de 40 minutos. E a ambulância que eles dizem que estava lá também demorou para chegar.Tudo isso poderia ser fatal para a vida do Garrido. Tudo isso vai ser cobrado na Justiça." Os promotores do evento não teriam feito um seguro para terceiros, o que, segundo Prado, é um grande erro. "As pessoas que foram ao Hotel ver a luta precisavam de uma cobertura total em caso de acidente, de incêndio ou alguma coisa assim. Nada disso existia. Por causa de todos esses erros é que pedimos agora um percentual do valor do evento para o Garrido." Alheio à possibilidade de um processo, a Boxe Promotion já pensa em novos eventos. Sempre envolvendo Marinho, que, segundo o próprio lutador, é garantia de bom público. O sonho de Marinho é enfrentar George Arias, campeão brasileiro dos pesos pesados. "Ele vive fugindo de mim", diz constantemente Marinho. O Hotel Unique deve ser o palco da próxima luta.

Agencia Estado,

30 de abril de 2004 | 18h20

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