Aerofólio traseiro da McLaren é alvo de nova polêmica aerodinâmica

Na etapa de abertura do campeonato do ano passado, o duplo difusor da equipe Brawn GP foi acusado de ilegal pela maioria das demais equipes. Ontem, no circuito de Sakhir, outro recurso aerodinâmico recebeu a mesma acusação: o aerofólio traseiro da McLaren.

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

Charlie Whiting, delegado da FIA, porém, considerou "legal" a solução da escuderia britânica na inspeção de quinta-feira. A chiadeira, ontem, foi geral. "A vantagem deles em reta é grande, 5 ou 6 km/h a mais, muito para os padrões da Fórmula 1", disse Rubens Barrichello, da Williams. "Pelo que sabemos, o aerofólio se mexe na reta. Nesse caso seria ilegal", comentou Felipe Massa, da Ferrari.

No treino livre da tarde, ontem, Lewis Hamilton registrou o segundo tempo e seu companheiro de McLaren, Jenson Button - os dois últimos campeões do mundo - o quarto. Nico Rosberg, da Mercedes, ficou em primeiro, mas diante da enorme variação no volume de gasolina de cada carro, os tempos não significaram muito.

O sistema funcionaria assim: bem à frente dos pilotos, no cockpit, há do lado esquerdo uma pequena tomada de ar. Esse ar é canalizado através de um tubo que passa dentro do cockpit, atravessa a tomada de ar sobre o motor, por dentro, e orienta o ar para fluir provavelmente sob o aerofólio traseiro. Ninguém desvendou, ainda, a solução da McLaren, "tão simples quanto genial", segundo Whiting.

O mais impressionante é que o ar admitido pela tomada logo à frente do cockpit pode ou não fluir por dentro dessa canalização. E quem faria esse controle seriam os próprios pilotos. Com o joelho esquerdo, Hamilton e Button podem tampar ou destampar o orifício que há no cockpit. Nas retas, manteriam-no aberto. O que faria o ar fluir pela canalização na direção do aerofólio traseiro. Como funciona ainda não está certo. O efeito, contudo, é conhecido: os fluxos de ar reduzem o arrasto, a resistência ao movimento, daí Hamilton e Button registrarem desde a pré-temporada as velocidades de reta mais elevadas.

"Não há dúvida de que representa importante vantagem. Todos deverão adotá-lo", explica o diretor da Renault, Steve Nielsen. Mas existe um grande problema para incorporar um sistema semelhante: é necessário que haja um orifício no cockpit e o monocoque, estrutura onde se encontra o cockpit, é homologado antes de o campeonato começar e não é permitido modificá-lo.

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