Aeroportos militares a serviço dos torcedores

Governo cogita usar equipamentos das Forças Armadas para suprir demandas de turistas na Copa

ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2012 | 03h09

Diante da falta de hotéis e dos atrasos nas obras de infraestrutura, o governo admite que deverá usar aeroportos militares pelo País para garantir que torcedores sejam levados aos jogos durante a Copa. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, confirmou que isso está sendo avaliado e que apenas depende de uma liberação do Ministério da Defesa. A Fifa também admite que conta com essa opção para dar uma solução ao transporte de milhões de pessoas pelo Brasil.

A Fifa e o Brasil decidiram que as seleções não terão sede fixa e que terão de percorrer o País inteiro. Em média, quem chegar à final no Maracanã terá percorrido quase 9 mil quilômetros e o desafio é o de fazer os torcedores acompanharem o périplo.

O assunto foi alvo de mais de cinco horas de reuniões ontem em Zurique entre a Fifa, governo e COL. "Vimos todas as soluções possíveis para a Copa. O uso de aeroportos militares está considerado. Mas o ministro da Defesa terá que analisar o assunto", explicou Rebelo. No momento, não existe um estudo formal na Defesa sobre o uso das bases aéreas como alternativa durante a Copa. Mas se houver um pedido, o caso certamente será analisado, levando-se em conta até que ponto este uso pode deixar vulnerável a defesa do País.

Luis Fernandes, secretário-executivo do Ministério do Esporte, indicou ao Estado que essa opção está sendo apresentada como solução para escoar passageiros. Já Valcke deixou claro que a questão da mobilidade é algo que preocupa a Fifa e que, por falta de hotéis, torcedores poderão ser levados à cidade de um jogo apenas no dia da partida e retornar logo depois.

Dentro do governo, um comitê ainda será estabelecido para acompanhar justamente esse processo. Mas Rebelo alerta que outra preocupação do setor privado é de construir hotéis em cidades que, após o Mundial, ficarão vazios. "Hotel não é carro alegórico que se usa e depois guarda em um galpão. Ninguém fará um hotel para apenas um mês de uso", disse.

A decisão da Fifa de fazer o governo parte da estrutura da Copa não significou que as cobranças não foram feitas. "Do lado da Fifa, temos que nos assegurar de que tudo esteja bem nas cidades-sede em termos de infraestrutura", disse Valcke.

Rebelo admitiu que os problemas existem. Um deles seria a interpretação do acordo entre o Brasil e a Fifa sobre a banda larga e celular 4G. O governo estima que não cabe a ele pagar pelo serviço. Já a Fifa quer mandar a conta para Brasília. "Se há problemas em um casamento de 50 anos, como é que não vai haver na organização de uma Copa", admitiu Rebelo. / J.C.

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