Afonso finalmente vira estrela

Atacante que marcou 7 gols no fim de semana é recepcionado na Granja Comary até por TV da Suécia

Sílvio Barsetti, TERESÓPOLIS, O Estadao de S.Paulo

10 de outubro de 2007 | 00h00

Dezenas de microfones, empurra-empurra e uma aglomeração que mais parecia recepção de celebridade. Tinha até uma equipe de TV da Suécia - a SVT - que veio ao Brasil com um único objetivo: acompanhar os treinos de Afonso, que agora tem direito de ser chamado Afonso Alves, com sobrenome. O que lhe dá importância. Foi assim o assédio ao atacante do Heerenveen, da Holanda, no primeiro dia de atividades da seleção brasileira em Teresópolis, que se prepara para a estréia nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2010, contra a Colômbia, domingo, em Bogotá.Afonso dividiu atenções com Kaká no grupo escolhido para conceder entrevistas. E, mesmo com o discurso simples e repetitivo, no mesmo ritmo e tom das perguntas, Afonso marcou posição. ''''Ninguém faz sete gols por acaso. Isso não acontece com qualquer um. E é claro que eu sei fazer gols. Fiz 34 na última temporada, em 31 jogos.''''Ele admitiu que jamais concedera tantas entrevistas num dia só. Feliz pela nova fase, contou várias vezes como marcou os sete gols da vitória por 9 a 0 do Heerenveen sobre o Heracles, no fim de semana, pelo Campeonato Holandês. ''''No segundo tempo, fiz quatro gols em oito minutos. Nunca vi isso'''', maravilhou-se.Afonso teve tempo de dizer que não se sente ameaçado pela provável volta de Ronaldo, o Fenômeno, ao Milan no dia 21, em partida contra a Empoli, pelo Campeonato Italiano. Algo inimaginável meses atrás, quando chegou à seleção sob desconfiança geral e semidesconhecido.DEFINIÇÕESEmbora não tenha anunciado o time da estréia, Dunga diz que já definiu quem jogará em Bogotá. As especulações permanecerão até pelo menos a véspera do jogo: Afonso ou Vágner Love no ataque? A ausência de Fred é favorável aos dois. Na Copa América, em julho, na Venezuela, os três disputavam duas vagas. ''''Há outros aqui que podem atuar na frente'''', comentou Afonso, em referência a Júlio Baptista, aproveitado no ataque na final contra a Argentina.Afonso recebeu elogios dos colegas e uma declaração pública de Dunga que soou como leve advertência. ''''Para mim, não mudou nada. Quando o jogador está na seleção, não é mais aposta. Se é chamado, é pelo que tem feito nos anos anteriores'''', ponderou. ''''O Afonso antes não era nenhuma dúvida e também não está no céu por causa dos sete gols. Para nós, não resolve fazer sete lá, quero que faça sete aqui, com a seleção.''''A equipe da TV sueca presente em Teresópolis revelou detalhes da passagem de Afonso por lá, a partir de 2002, quando trocou o Atlético-MG pelo Orgryte. ''''Na época, ele cogitou se naturalizar sueco, pois tinha certeza de que jamais chegaria à seleção brasileira'''', contou o jornalista Henrik Jonsson. ''''Problemas burocráticos fizeram com que desistisse.'''' Do Orgryte, Afonso foi para o Malmoe, onde conquistou o título nacional de 2004. Em seguida, se transferiu para o futebol da Holanda. Ontem, o atacante disse que pretende voltar a atuar no Brasil. Pelo Atlético-MG, ele realizou somente um jogo na equipe profissional.

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