África do Sul também teria sofrido com venda de votos

Gravações entregues por jornal britânico revelam que esquema funcionou também para a escolha da sede da Copa de 2010

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL / ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2010 | 00h00

ZURIQUE

Uma nova avalanche de denúncias é feita sobre a compra de votos para a escolha das sedes da Copa do Mundo. As gravações entregues à Fifa pelo jornal Sunday Times revelam que a compra de votos também teria ocorrido em 2004, quando a África do Sul foi escolhida para organizar o Mundial de 2010.

Reynald Temarii, vice-presidente da Fifa, confirmou nas conversas, gravadas sem que ele soubesse, que três membros do Comitê Executivo da entidade, de origem africana, receberam cada um US$ 250 mil para votar contra a candidatura do país de Nelson Mandela e apoiar Marrocos. Ele não diz quem teria pago, mas o cartola revela que a informação foi passada por Ismail Bhamjee, ex-integrante do Comitê Executivo expulso da Fifa em 2006 durante a Copa do Mundo, acusado de vender ingressos que a entidade havia dado a ele para jogos da Copa.

Na época da votação, em 2004, os sul-africanos ganharam o direito de receber a Copa por uma margem pequena de apenas quatro votos sobre Marrocos. Mais tarde, foi revelado que nenhum dos membros africanos do Comitê Executivo da Fifa votou na candidatura da África do Sul.

Temarii ainda indicou que um quarto membro da entidade com direito a voto foi também consultado sobre a venda de seu apoio, mas rejeitou o acordo ao final.

Quatro anos antes, a África do Sul já havia sido derrotada pela Alemanha para ter a Copa de 2006. A diferença foi de apenas um voto e, misteriosamente, um dos 24 membros do Comitê Executivo não registrou seu voto.

Outra revelação recebida pela Fifa, e que estava nas gravações, se refere ao membro do Comitê de Solução de Disputas da Fifa, o tunisiano, Slim Aloulou. Também sem saber que estava sendo gravado, Aloulou recomendou que as propinas oferecidas não sejam baixas. "Não deem migalhas", disse.

Buraco sem fundo. Sobre o escândalo atual, o Estado obteve confirmações de que a crise não vai se limitar ao que já foi revelado ontem. Novas informações estão prestes a se tornar públicas e os autores da investigação confirmaram que prometem liberar o material do novo escândalo antes da eleição, marcada para 2 de dezembro. As informações também apontariam para a compra de votos. Seja qual for o resultado do escândalo, a constatação é de que a crise já revelou que a briga pela sede da Copa vai bem além da qualidade dos estádios oferecidos e se tornou um verdadeiro negócio.

Na Fifa, a proliferação de revelações ainda foi recebida como o maior desafio da presidência de Joseph Blatter na entidade. Em 2011, ele tentará mais uma eleição, depois de 35 anos trabalhando na Fifa.

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