África impõe derrota histórica ao Inter

Mazembe, a zebra do Congo, vence de forma incrível por 2 a 0 e acaba com o sonho do bi do time brasileiro. Torneio, pela 1ª vez, não terá sul-americano na final

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2010 | 00h00

O Internacional notabilizou-se por suas recentes conquistas, mas agora ficará marcado na história do futebol também por um grande vexame, uma dor que vai demorar para passar. Ontem, em Abu Dabi, perdeu para os congoleses do Mazembe, por 2 a 0, na sua estreia no Mundial de Clubes. Tornou-se o primeiro campeão da Taça Libertadores a ficar fora da final da competição. Esse formato do torneio começou a ser utilizado em 2005.

O time gaúcho coletava cada coincidência em relação à dupla conquista de 2006 - Libertadores e Mundial - para acreditar em nova façanha. Ano de Copa do Mundo, vitória contra o São Paulo no caminho do título continental, um africano na estreia (naquele ano bateu o Al Ahly, do Egito, por 2 a 1). A confiança fez mais de 8 mil colorados cruzarem oceanos, gastarem suas despesas pessoais por um sonho que parecia logo adiante, principalmente por causa da má fase da Internazionale de Milão. "É a derrota que mais dói. Esperei minha vida toda para brigar por esse título", sintetizou Guiñazú.

Faltou o primeiro passo, o primeiro gol, a vitória que deixaria os sonhos a 90 minutos de se tornarem realidade. O Internacional não fez boa partida, óbvio, mas dominou o jogo. Teve posse de bola e até chances claras de abrir o placar no primeiro tempo. Não aproveitou. A cada gol que Rafael Sóbis e companhia perdiam, aumentava o peso das pernas, o efeito desagradável que os nervos causam na precisão - a falta dela.

Depois de um tempo inteiro sem alcançar o gol, o Inter tinha certeza de que precisava melhorar. Mas, do outro lado, o Mazembe passou a acreditar que poderia vencer. E a falta de precisão que assolou o errático time colorado não passou nem perto dos congoleses. Porque, na primeira chance que teve, aos oito do segundo tempo, Kabangu fez um golaço num chute indefensável.

O time gaúcho se desestabilizou, partiu para o tudo ou nada. Quando Giuliano, o talismã da conquista da Libertadores, errou cara a cara com Kidiaba, desde o torcedor que passou 20 horas num avião até aquele que faltou ao trabalho com a esperança de comemorar uma vitória vermelha soube: para o Inter, o Mundial não daria mais nada.

O Todo Poderoso (Tout Puissant, do nome em francês) Mazembe estava garantido na final. Ainda mais quando Kaluyituka marcou outro gol a cinco minutos do fim. Acabou o Mundial para o Inter, embora haja uma disputa de 3.º lugar no sábado.

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