Africanos fazem festa dupla

Yimer Wude, da Etiópia, e James Kipsang, do Quênia, vencem a mais tradicional prova do atletismo brasileiro

Bruno Deiro e Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2008 | 00h00

Os brasileiros apostaram na chuva como única esperança de vitória na 84ª Corrida de São Silvestre, mas nem se uma tempestade tivesse vindo seria possível impedir o show africano nas ruas de São Paulo ontem à tarde. O Quênia conquistou a hegemonia na competição com a vitória de James Kipsang. Agora, são 11 vitórias quenianas contra 10 brasileiras. A segunda colocação ficou com o também queniano Evans Cheruyot e a terceira colocação com outro conterrâneo: Mutai Koech. Veja mais imagens da São SilvestreA maior emoção brasileira na prova foi a despedida de Vanderlei Cordeiro de Lima, medalha de bronze na Olimpíada de Atenas, em 2004, aplaudido durante todo o percurso. O atleta de 39 anos terminou a prova abaixo do tempo esperado, com 52 minutos. No momento do pódio, foi chamado pelos primeiros colocados para receber mais uma homenagem. Outro brasileiro bastante aplaudido na prova foi Franck Caldeira, de 25 anos, mas este não conseguiu chegar ao final da prova. Abandonou antes dos 10 quilômetros com dores abdominais.O show queniano, porém, ficou evidente desde a primeira parte da prova, quando um pelotão africano assumiu as primeiras posições. O brasileiro Gladson Alberto da Silva, do Pinheiros, tentou fazer parte do grupo, mas logo desistiu. O tanzaniano Marco Joseph chegou a ficar na frente, mas perdeu essa primeira colocação ainda no viaduto Pacaembu para James Kipsang, que não mais abandonou a primeira colocação. O tempo do vencedor foi de 44min42. Longe, porém, do recorde do também queniano Paul Tergat, em 1995, com a marca de 43min12. FEMININOA prova feminina foi vencida pela etíope Yimer Wude Ayalew, com o tempo de 51min37, mas o restante do pódio foi todo brasileiro, com Fabiana Cristine Silva, que terminou na segunda colocação, seguida pelas compatriotas Marily dos Santos, Edielza Alves do Santos e Luzia de Souza Pinto. No início, a tanzaniana Sara Ramadhani chegou a liderar por um longo percurso e abriu uma distância de mais de 100 metros da segunda colocada. No entanto, a arrancada da etíope Yimer Wude impulsionou também as brasileiras.Ao contrário do que se previa, a prova não foi disputada sob chuva, mas o sol também deu trégua na hora da prova. O calor era intenso, mas não tão forte quanto nos dias anteriores neste mesmo horário, o que ajudou no ímpeto dos cerca de 20 mil atletas que encararam as ruas de São Paulo no último dia de 2008. HEGEMONIA QUENIANAApesar de terem chegado ontem à 11ª vítória na história da competição, os quenianos conquistaram essa hegemonia com poucos nomes no alto do pódio. É que alguns marcaram época, como o fenômeno Paul Tergat, que venceu cinco vezes (1995, 1996,1998, 1999 e 2000) e mantém até hoje o recorde da prova. Já Robert Cheruiyot venceu três vezes (2002, 2004 e 2007) e Simon Chemouyo venceu duas (1992 e 1993). O show, porém, deve continuar nos próximos anos, a menos, é claro, que venha muita água para ajudar os brasileiros.

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