Agência mundial antidoping testa nova tecnologia no Pan

Após corte de Jaqueline, presidente da Wada diz que atletas que alcançam nível internacional deveriam saber de riscos

Alberto Alerigi Jr, da Reuters

13 Julho 2007 | 14h08

A agência mundial antidoping (Wada) está aproveitando os Jogos Pan-Americanos para testar novas tecnologias de detecção de drogas usadas para melhorar o desempenho de atletas de maneira ilegal. Um exemplo são métodos para identificação do uso indevido da presença do hormônio do crescimento no sangue dos atletas. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, o presidente da Wada, Richard Pound, disse que os atletas desta edição dos Jogos "deveriam ficar preocupados" sobre doping com hormônio do crescimento. A entidade já conseguiu um teste confiável para detecção da substância e está trabalhando para tornar o exame comercialmente viável junto a laboratórios farmacêuticos. No Rio, a Wada vai executar durante os Jogos cerca de 1.000 testes, disse Pound, num volume acima do realizado na edição anterior do evento, em Santo Domingo, em 2003. Ele não soube precisar quantos exames foram aplicados nos Jogos dominicanos. Pound disse que reuniu-se na quarta-feira com o ministro do Esporte, Orlando Silva, que, segundo o dirigente, assegurou que o Brasil está interessado em fazer o máximo possível para combater o doping. O presidente da Wada afirmou que convidou o ministro para participar em novembro da terceira convenção mundial da entidade, que debaterá uma nova edição de seu código antidoping. O presidente da Wada disse ainda que o Brasil deve mostrar sua liderança na América do Sul para tentar convencer os outros países a região a ratificar e implementar os mandamentos do código da agência. Ele considera que o surgimento de casos positivos no Brasil não são motivo de preocupação. "Não há motivo para pânico, três ou quatro casos em um ano em um país grande como o Brasil não é o fim do mundo". Fora do Pan A entrevista de Pound, que visita o Brasil pela primeira vez como presidente da Wada, aconteceu um dia depois de a jogadora de vôlei Jaqueline ter sido cortada preventivamente da seleção brasileira por suspeita surgida na Itália de doping para sibutramina, substância ativa em remédios para emagrecimento. A jogadora culpou cápsulas de chá verde consumidas por ela na Itália sem informar equipes médicas e disse que não sabia que o produto poderia conter compostos ilegais. Em resposta ao caso e a outros semelhantes citados por jornalistas, Pound foi duro: "Não tenho simpatia por atletas internacionais que fingem que não sabem o que há em medicamentos", disse o dirigente, que foi nadador na década de 1960 e hoje atua como advogado em Montreal, Canadá. "Os atletas que alcançam nível internacional deveriam saber dos riscos. Eu sinto, mas é trabalho dos atletas saber, e se tiverem dúvidas devem perguntar", completou.

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