Agência tenta aprimorar exames antidoping

Fiscalização de médicos, enfermeiros e agentes está mais rigorosa para evitar as várias tentativas de fraudes dos atletas

Sílvio Barsetti, ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h05

Pouco depois de uma entrevista coletiva no centro internacional de imprensa do Parque Olímpico, em Londres, o presidente da Agência Mundial Antidoping (Wada), John Fahey, admitiu que existe "um tanto de constrangimento" na ação dos inspetores que verificam os exames de urina dos atletas que participam de grandes competições, como a Olimpíada. "Isso tem de ser aperfeiçoado, mas, por enquanto, fazemos o que é o melhor", declarou Fahey ao Estado.

A fiscalização de médicos, enfermeiros e de outros agentes treinados está mais rigorosa. Isso por causa de casos mais recentes e surpreendentes em que atletas trocaram o material que deveria ser coletado. A tentativa de fraude se dá de várias maneiras e normalmente ocorre no momento em que há a passagem da urina para o controle antidoping.

Um dos métodos ao qual já recorreram atletas masculinos pode ser considerado insólito - eles enchem um preservativo com urina "limpa", sem substância dopante, e o colocam dentro do calção. Um cateter improvisado é acionado na hora do exame.

Por causa desse e de outros recursos antidesportivos de atletas, a Wada determinou mudanças no sistema. Os homens, no caso, quase tiram todo o uniforme ao lado de um examinador, que o observa por um espelho localizado diante dos dois.

Isso se intensificou já nos Jogos de Atenas, em 2004. Naquela Olimpíada, dois atletas de uma delegação europeia foram desclassificados ao serem flagrados. Eles colocaram outra urina num balão de gás e também recorreram a um cateter, que passava por baixo do perímetro do pênis. Na hora do exame, retraíram a musculatura para apertar o balão e a urina retirada foi ejetada pela sonda e não da uretra.

"Nesse episódio, já tínhamos a informação da fraude com antecedência e houve uma atenção redobrada para que desvendássemos a ação", contou o médico brasileiro Eduardo Henrique de Rose, responsável pela área antidoping do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e um dos fundadores e conselheiros da Wada.

Em Londres, os observadores vão estar atentos ainda a outra variação de fraude, na qual o atleta pode se utilizar de um pênis artificial que serve como recipiente de urina "limpa". A Wada também já tomou conhecimento dessa prática há mais de um ano. Entre as mulheres, houve no último ciclo olímpico pelo menos uma incidência de doping por método nada convencional. A atleta também escondeu o material artificial dentro de um preservativo, quase imperceptível sob o uniforme. Foi descoberta e depois punida.

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