Agora, Alonso e Massa só têm motores usados

Ferrari já usou nos dois carros as oito unidades permitidas por piloto. Amanhã, os treinos livres do GP de Cingapura

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

O fato de Mark Webber, da Red Bull, ser para muitos na Fórmula 1 o piloto com mais possibilidades de conquistar o título é apenas uma hipótese. Michael Schumacher, da Mercedes, Rubens Barrichello, Williams, Flavio Briatore, empresário do australiano, Jackie Stewart, ex-piloto, baseiam seus palpites no momento "mágico" de Webber e na provável maior adaptação do notável carro da Red Bull às cinco pistas que restam do campeonato, como à do GP de Cingapura, 15.º do calendário, cujos treinos livres começam amanhã. Agora, o drama da Ferrari é real, não uma projeção: Fernando Alonso e Felipe Massa só poderão utilizar na fase final da temporada motores usados. Em Monza, dia 12, a Ferrari colocou nos seus carros o oitavo e último motor permitido pelo regulamento por piloto.

Tanto Alonso quanto Massa e o diretor da escuderia de Maranello, Stefano Domenicali, procuraram diminuir, depois do GP da Itália, a importância de só terem motores já com alguns bons quilômetros rodados nas provas do fim de semana, depois Japão, Coreia do Sul, Brasil e Abu Dabi. "Temos ainda vários motores com vida bem abaixo do limite", afirmou Alonso. Massa também comentou: "Disputamos as corridas de Spa e a de Monza com motores novos por razões estratégicas, não porque necessitamos substituí-los."

A Ferrari teve de rever o projeto de seu motor durante o campeonato por quebra da unidade de Alonso no GP da Malásia e no da China. "A FIA nos autorizou a modificá-los por ser uma questão de resistência e não de desempenho", explicou o engenheiro responsável, Luca Marmorini, na etapa de Barcelona, no dia 9 de maio. Massa não teve nenhuma pane de motor até agora, mas Pedro de la Rosa, da Sauber, que também competia com motor Ferrari, já foi obrigado a recorrer, no GP da Bélgica, no dia 29, ao seu nono motor. O espanhol será substituído por Nick Heidfeld em Cingapura.

A cada motor novo, além dos oito permitidos, o piloto perde dez colocações no grid. Para uma equipe que está lutando pelo título, como a Ferrari, com Alonso, numa disputa ponto a ponto como a deste ano, largar atrás no grid representa quase renunciar à possibilidade de estar entre os primeiros e, provavelmente, sair da luta pelo campeonato. "Não há razão para temermos novos problemas de motor porque nossos motores já têm algum uso. Não existe mais nenhum traçado como Spa, por exemplo, em que permanecemos a maior parte do tempo com o acelerador no curso máximo", argumenta Alonso.

O espanhol é o terceiro na classificação, com 166 pontos. O líder é Webber, 187, seguido por Lewis Hamilton, McLaren, 182. Estão ainda na disputa Jenson Button, McLaren, 165, quarto colocado, e Sebastian Vettel, Red Bull, quinto, 163. Massa tem 124 pontos, o sexto, mas muito distante de Webber, 63 pontos.

Para os adversários de Alonso, o desafio da limitação de motores parece mais bem equacionado. Hamilton, Button e Vettel têm ainda uma unidade nova à disposição. Webber, além de já líder, dispõe de dois. A Red Bull compete com motores Renault e a McLaren, Mercedes. Dentre todas as 12 equipes, quem melhor administrou essa severa restrição até agora foi a Renault, pois o polonês Robert Kubica, oitavo na classificação, com 108 pontos, e seu companheiro, o russo Vitaly Petrov, contam com dois motores novos.

Num fim de semana normal de competição, cada piloto percorre, na média, 750 quilômetros. Como o calendário deste ano tem 19 etapas, os pilotos vão percorrer, na média, se não enfrentarem dificuldades, 14.250 quilômetros entre treinos e corridas, o que significa que cada motor tem de possuir uma vida útil aproximada de 1.800 quilômetros. Há um consenso na Fórmula 1 que a partir da metade da vida útil os motores, todos V-8 de 2,4 litros, apresentam pequena perda de potência e os riscos de quebra se elevam.

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