Agora, chega!

Um oitavo vencedor diferente na corrida de Valência já é mais difícil, mas estava na cara que o Canadá não quebraria a série por conta do histórico de Lewis Hamilton com a pista de Montreal. Pra começar, foi onde ele conquistou a primeira vitória da carreira (2007). Depois, tinha vencido também em 2010, além de acumular três poles. E não venceu outras vezes por ter cometido duas enormes bobagens, bem ao estilo Hamilton. A primeira em 2008, quando bateu na traseira de Kimi Raikkonen, que estava parado na saída do box aguardando o sinal verde; e a segunda, no ano passado, quando errou tanto que chegou a bater no próprio companheiro Jenson Button e acabou levando bronca de Ron Dennis, com direito a dedo na cara, diante de todos os convidados do mundo artístico que Hamilton costuma botar pra dentro dos boxes. Tudo isso e mais o histórico da McLaren, que agora chega à quinta vitória nas sete últimas etapas.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2012 | 03h02

No caso de Valência, é território Red Bull pelo que se viu nos dois últimos anos (vitórias de Vettel), embora Hamilton acumule três segundos e um quarto lugar nos quatro anos de existência deste GP. E eu conto também com um Alonso muito forte graças à notável evolução que a Ferrari mostrou no Canadá.

Valência é também uma pista de rua, mas com trechos semelhantes aos de circuitos permanentes. A corrida ter um oitavo vencedor é uma probabilidade restrita a Schumacher, que correu duas vezes em Valência e jamais marcou um ponto; o pouco experiente Romain Grosjean, 2.º colocado no Canadá; Kimi Raikkonen, ainda em processo de readaptação; e Felipe Massa, desde que Alonso esteja fora da briga. O mexicano Sergio Perez já tem dois pódios neste ano, mas o carro da Sauber ainda precisa que a equipe encaixe uma estratégia espetacular para alcançar resultados como este.

Disputadas sete das 20 corridas do ano, é arriscado dizer, mas eu vejo uma tendência de disputa de título principalmente entre Hamilton e Vettel, com Alonso sendo a única ameaça aos dois. O espanhol está no auge de sua técnica, mas a Ferrari sempre fica sem pneu nas últimas voltas das corridas. Isso aconteceu até mesmo na vitória obtida na Malásia, onde ficou claro que a Sauber de Perez ganharia se o mexicano não tivesse errado; repetiu-se na Espanha, impedindo Alonso de atacar o líder Maldonado; e no Canadá custou quatro posições nas últimas sete voltas.

O equilíbrio da F-1 tem provocado reviravoltas na classificação do campeonato ao final de cada etapa. Mas no Canadá a liderança mudou de mãos quase volta a volta. Vettel foi líder na primeira parte, depois foi a vez de Alonso, Hamilton assumiu a liderança empatado com Alonso e apenas nas últimas sete voltas passou a liderar o campeonato sozinho, dois pontos à frente de Alonso e três de Vettel.

Curiosamente, na hipótese nada improvável de um resultado com Webber, Vettel, Alonso e Hamilton nas primeiras posições em Valência, a classificação passaria a ter Webber com 104 pontos, Vettel 103, Alonso 101 e Hamilton 100. Os quatro tecnicamente empatados. Ainda assim, eu não vejo Webber se mantendo na luta pelo título até o final da temporada.

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