Imagem Reginaldo Leme
Colunista
Reginaldo Leme
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Agora é a hora

A Ferrari tem um plano: nas próximas três corridas - Inglaterra, Alemanha e Hungria - Alonso tem que fazer a vantagem atual de 36 pontos que Vettel tem no campeonato cair pela metade. Estamos apenas na oitava etapa de um total de 19, mas o sinal de alerta já soou na equipe respingando em Alonso, que não admite sequer pensar na possibilidade de chegar ao fim de sua quarta temporada na Ferrari sem conquistar um título. A hora de começar a recuperação é esta, até porque nos últimos dois anos o espanhol somou mais pontos do que Vettel nessa parte europeia do Mundial. O carro italiano costuma andar bem em pistas velozes, como comprovam as vitórias deste ano em Xangai e Barcelona, e depois da Hungria a Fórmula-1 dá uma parada de quatro semanas, que é tempo suficiente para respirar e planejar o restante do campeonato.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2013 | 02h15

Alonso, que nunca demonstrou muito respeito pelas qualidades de Vettel, diz que a vantagem do alemão só chegou aos 36 pontos atuais por conta das corridas em que ele próprio passou sem marcar ponto, na Malásia e no Barein, e também nos problemas que Kimi Raikkonen teve em Mônaco e no Canadá. Desde então ele vem dizendo que vai chegar a hora de Vettel também enfrentar problemas, o que até agora não aconteceu. Pode se entender a fúria do espanhol porque este é o ano em que, sem uma concorrência forte de Hamilton, a quem ele respeita muito, a desaceleração de Webber, antes disposto a tirar uns pontinhos do companheiro de Red Bull quando possível, mas agora em ritmo de despedida da F-1, e sabendo que o fôlego da Lotus não é tão grande assim, o único obstáculo a superar para chegar ao título é mesmo Vettel. Pelas contas, é perfeitamente possível, desde que a diferença não continue aumentando.

Mas também é verdade que as contas na F-1 nem sempre batem. No ano passado, faltando sete corridas para terminar o campeonato Alonso estava 42 pontos à frente e, mesmo assim, perdeu o título. Justamente para aquele que, por birra ou por razões de estratégia, ele faz questão de não respeitar.

Mark Webber, que só teve a apoiá-lo na Red Bull o diretor esportivo Christian Horner, seu sócio numa equipe de GP2 e GP, e sempre ignorado por Helmut Marko, que tem muita força com Dietrich Mastechitz, simplesmente o dono da brincadeira, desistiu de insistir. Dois dias atrás ele anunciou que deixaria a F-1 no fim do ano para abraçar o ambicioso projeto da Porsche de disputar o título do Mundial de Endurance e tentar voltar a ser a grande vencedora das 24 Horas de Le Mans a partir do ano que vem. Na semana passada eu já tinha ouvido isso de Emerson Fittipaldi, que é promotor da etapa brasileira do WEC (World Endurance Championship). Na hora de bater a porta, veio a vingança do piloto australiano - ele só avisou Marko uma semana antes de comunicar oficialmente sua decisão. Na F-1 desde 2002, Webber defendeu as equipes Minardi, Jaguar e Williams antes de chegar à Red Bull em 2007. De um total de 203 participações, ele soma nove vitórias, 36 pódios e 11 pole positions.

O cockpit que Webber deixa vago já começa a agitar o paddock da F-1. A primeira ideia da equipe austríaca é formar o que vem sendo chamado de "dream team", contratando Kimi Raikkonen para correr ao lado de Vettel. Há até quem diga que isso é algo já acertado há meses, o que pode ter motivado esta decisão drástica de Webber. Fala-se também em Jenson Button e Felipe Massa. Se não fizer questão de experiência, a Red Bull pode promover um dos pilotos da Toro Rosso (Daniel Ricciardo ou Jean-Eric Vergne), ou ainda o português Antonio Felix da Costa, da World Series.

Para Felipe Massa, a prioridade é continuar na Ferrari. Recentemente no Canadá, o diretor Stefano Domenicali deu a entender que a renovação de contrato deve acontecer até o GP da Hungria. Mas enquanto isso não acontece, Massa passa a ser uma peça valiosa nesse mercado. Além do retrospecto de 11 vitórias e um vice-campeonato (derrotado por um ponto na corrida final), o fato de ser um piloto com 10 anos de história na Ferrari é muito importante. Quem não gostaria de contar com alguém que tenha um conhecimento tão profundo da forma de trabalhar de uma rival à altura da Ferrari? Isso vale muito para qualquer equipe, inclusive para a própria Ferrari, que agora tem uma razão a mais para temer a saída do brasileiro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.