Agora é pra valer

Aviso aos navegantes: o Campeonato Brasileiro enfim engatou uma quarta, deslanchou, logo mais coloca uma quinta e ninguém o segura daqui para o final do ano. Agora não tem desculpa, nem ruído, pois passou a Taça Libertadores, já se foi a Copa do Brasil, a Olimpíada de Londres virou lenda. A prova de que até os times perceberam que não se pode alegar nada para desviar a atenção - e não venham com o papo de Sul-Americana! - despontou com dois jogos muito bons, disputados ontem por um quarteto de alvinegros, com sequência de placar e resultados finais idênticos.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2012 | 03h03

Santos 3 x Corinthians 2 e Atlético-MG 3 x Botafogo 2 empanturraram a alma de quem sentia saudade de clássicos. Houve viradas, empates, gols salvadores, polêmica, tensão. Tudo conforme o manual de como realizar uma partida de futebol emocionante. E, em ambos os casos, também sobressaíram os astros. Necessário ressaltar que me refiro a Neymar e a Ronaldinho Gaúcho? Vá lá, fica o registro, para não restar dúvida.

O encontro paulista, na Vila Belmiro, honrou a tradição, e foi mais quente do que os dois anteriores, válidos pela competição continental. O Corinthians, com baixas sobretudo na defesa, defendia invencibilidade de nove rodadas. O Santos, recomposto com o retorno de Rafael, Neymar e Ganso, tentava o feito inédito, na atual Série A, de duas vitórias consecutivas, que lhe valeriam desgarrar-se de vez da zona de descenso.

O equilíbrio e o jogo limpo marcaram o primeiro tempo, embora o Corinthians tenha criado algumas situações adicionais de perigo, em jogadas com Romarinho. Por isso, largou na frente, com o gol de Danilo ao desviar cobrança de falta de Douglas. O duelo no meio-campo era interessante, mas o primeiro lampejo de craque garantiu o empate: Neymar arrancou pela direita, desmontou a defesa e deixou para André o trabalho apenas de empurrar para o gol.

André, o filho pródigo que voltou dias atrás, colocou o Santos na frente, no começo da etapa final, ao completar uma jogada em que ocorreu uma sucessão de impedimentos. O lance botou fogo no jogo, as divididas se tornaram menos amistosas e a adrenalina subiu. Saiu de campo o marasmo anterior para prevalecer o espírito de luta que se espera na Série A. O próprio André deixou escapar o terceiro gol, em outra jogada rápida e desconcertante de Neymar.

O Corinthians não entregou os pontos e recebeu como prêmio o empate dez minutos antes do final, com o argentino Martinez. Poderia ficar tudo resolvido dessa maneira, até aparecer mais uma vez a precisão de Neymar. O dono do time santista cobrou escanteio na cabeça de Bruno Rodrigo, que não perdoou Cássio e fechou a conta.

Neymar devolveu ao Santos a aura vencedora. A maneira como chama a marcação, como vai para cima dos rivais, como se desloca inspira os demais companheiros, faz com que acreditem em vitórias. O Santos voltou a ter cara de time e não de catadão, como até recentemente.

Assim como representa toque de qualidade a forma como Ronaldinho tem atuado no Atlético. O gaúcho não tem a exuberância do auge da carreira, no Barcelona, mas inegavelmente é o regente do líder. Nos momentos de maior aperto, contra o Botafogo de Seedorf - amigo do peito e ex-companheiro de Milan -, de seus pés surgiram os lances mais lúcidos, que levaram à virada, com gols de Escudero e Jô (depois de Andrezinho abrir a contagem), e ao gol de Neto Berola, após Andrezinho ter feito o de empate.

Esse Galo não tem voo curto.

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