''Agora só falta a seleção''

Vice-artilheiro do Campeonato Italiano, jogador festeja ótimo ano e diz que espera ser chamado por Dunga

Entrevista com

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

26 de dezembro de 2008 | 00h00

Roberto Donadoni e Marcello Lippi, ex e atual comandantes da Itália, sempre quiseram convocar Amauri para a seleção campeã do mundo. Mas o atacante da Juventus manda um recado. "Sou brasileiro e a única seleção pela qual posso jogar, no momento, é a do Brasil", ressaltou o jogador, em entrevista por telefone ao Estado, de Turim. Dunga, porém, pode fazer a alegria do atacante e estragar os planos da Itália brevemente. Em 10 de fevereiro, as duas seleções se enfrentam, em Londres, e o treinador dá indícios de que pode convocar Amauri pela primeira vez. Mas terá de ser rápido. O paulista de Carapicuíba está prestes a receber o passaporte italiano. Os anos na Europa - vive do outro lado do Atlântico desde 2000 - já aparecem durante a conversa. Amauri procura as palavras em português, mas, em algumas ocasiões, elas não aparecem. "Me adaptei à Juventus subito", contou, referindo-se à maior realização em uma carreira cheia de percalços: a contratação por um grande clube.Hoje, Amauri é o vice-artilheiro do Campeonato Italiano - 11 gols. Humilde, diz que ainda é desconhecido para os brasileiros. Mas jogar pela seleção de Dunga é um sonho de que não abre mão, assim como defender, um dia, as cores do São Paulo, seu time de coração.O Lippi disse que conta com você. E o Dunga falou que pode te convocar. O que você vai decidir?Vou esperar com tranqüilidade, seja uma convocação do Brasil ou da Itália. Não penso no que vai acontecer, quero deixar para a hora que vier.E o passaporte, quando chega?Depende da burocracia, pode chegar em dias ou meses. Talvez venha no começo do ano.E se a Itália te convocar antes?Sou brasileiro e a única seleção pela qual posso jogar, no momento, é a do Brasil. Estou esperando a oportunidade.Já houve contato do Dunga?Nunca tive contato com ninguém, mas tenho certeza de que estão me vendo. Sei que não é fácil chegar à seleção, o Dunga já trabalha com um grupo há dois anos. Sou um jogador quase desconhecido, talvez nos últimos três anos é que meu nome tenha aparecido. Agora jogo na Juventus e isso realça minha imagem. O Dunga disse que pode te chamar, mas sem pressão...Talvez tenha dito isso por causa de algumas declarações que surgiram no Brasil do meu ex-empresário (o italiano Mariano Grimaldi), dizendo que eu fiz cobranças ao Dunga. Não é verdade e acho que isso está até me prejudicando. Sei que técnicos não gostam de cobranças. Por isso, queria dizer para o professor Dunga que nunca pedi nada. Não é do meu caráter. Se eu for para a seleção, é porque suei muito, porque mereci em campo, não porque os outros estão fazendo pressão.Você é vice-artilheiro do Italiano e, no clássico contra o Milan, marcou dois gols na vitória por 4 a 2. Ofuscou os outros brasileiros...Minha carreira está indo muito bem. Saí do Palermo e me adaptei à Juventus subito. É fácil estar com jogadores como Del Piero, Nedved, Camoranesi. O jogo contra o Milan foi muito importante, batemos em um adversário grandíssimo. Foi uma noite especial.Você é amigo dos brasileiros?Conheço a maioria deles. Na Juventus sou o único - o Tiago é português, então podemos falar o idioma. Mas o Julio Cesar é um grande amigo.Jogar no São Paulo continua fazendo parte dos seus sonhos?O São Paulo é como se fosse a Juventus no Brasil, um time grandíssimo. Meu sonho continua, mas esse não é o momento. Depois de nove anos na Itália, finalmente estou realizando o sonho de jogar em um time grande. Mas, como são-paulino, ainda quero jogar no meu time de coração. Acompanhei a conquista do Brasileiro e fiquei muito feliz. Foi um mês perfeito para mim.Este foi o ano da sua realização profissional?Depois de nove anos de batalha, de ter chegado à Itália para jogar em times pequenos, na Série B, estou agora em um dos clubes mais famosos do mundo. E o melhor: me destacando. Foi um 2008 muito completo de realizações. Só faltou a convocação para seleção, mas a gente chega lá.

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