Agora, um obstáculo maior

Brasil passa fácil pelo Chile, avança às quartas de final e enfrenta a forte Holanda na sexta-feira

Sílvio Barsetti, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL

JOHANNESBURGO

O Brasil impôs sua superioridade, passou com facilidade pelo Chile (3 a 0), ontem, em Johannesburgo, e se credenciou para enfrentar a Holanda, sexta-feira, na reedição das quartas de final da Copa do Mundo de 1994. Naquele ano, o então time do volante Dunga e do lateral Jorginho, hoje seu auxiliar, venceu o adversário por 3 a 2, numa das partidas mais emocionantes da seleção nas duas últimas décadas.

Quatro anos depois, em novo confronto, o Brasil superou a Holanda em cobrança de pênaltis (4 a 2), após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação. Dunga foi quem marcou o quarto gol e classificou a seleção para a final do Mundial da França.

A vitória sobre o Chile foi aplaudida por mais de 50 mil pessoas que não se intimidaram com o frio e lotaram o Ellis Park. O Brasil teve uma exibição segura, com destaque para o zagueiro Juan, autor de um belo gol de cabeça. O resultado pode ser creditado também à individualidade do trio-esperança formado por Kaká, Robinho e Luís Fabiano.

O Chile resistia, mas, aos 35 minutos do 1.º tempo, Juan aproveitou escanteio cobrado por Maicon e subiu com estilo para abrir o placar. Até ali, o técnico Marcelo Bielsa, de cócoras, imaginava outro desfecho para o jogo. Como, logo depois, Luís Fabiano driblou o goleiro Cláudio Bravo e fez 2 a 0, restou a Bielsa esbravejar com seu time e chutar garrafinhas de água para os lados.

A derrota do Chile parecia anunciada pouco antes de a equipe entrar em campo. No túnel que leva os jogadores ao gramado, era clara a expressão tensa de seus titulares. Ao lado, Kaká sorria levemente, e Robinho fazia caretas para Luís Fabiano.

O som das vuvuzelas coloridas no Ellis Park, um estádio precário na sua área interna, aumentava toda vez que Kaká ou Robinho iniciavam um contra-ataque. No segundo gol do Brasil, Robinho foi rápido pela esquerda e tocou para Kaká. Num passe curto e perfeito, o meia deixou Luís Fabiano na frente de Bravo. Metade do serviço estava feito.

Mudanças de última hora deixaram Elano e Felipe Melo fora do jogo. Estão contundidos.

Dunga optou por escalar Daniel Alves e Ramires e armou um time mais ofensivo. Se Juan cortava quase todos os cruzamentos sobre a área do Brasil, seu companheiro de zaga Lúcio dava aqueles piques costumeiros, como quem quer mostrar ao mundo que velocidade e porte físico podem decidir.

O terceiro gol, já no segundo tempo, surgiu após arrancada de Ramires. Ele se livrou de três chilenos e ofereceu a Robinho a chance de o atacante marcar pela primeira vez numa Copa.

O Chile, abalado com a desvantagem, não oferecia resistência. Talvez por isso, Dunga demonstrou generosidade ao deixar o meio-campista Kleberson e o lateral Gilberto jogarem alguns minutos no final da partida.

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