Águia sofre, mas está no octogonal

Time paraense, surpresa da competição, vai para a fase decisiva após empate (1 a 1) com o Luverdense

Daniel Akstein Batista, MARABÁ (PA), O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2008 | 00h00

A torcida fez seu papel: 2,1 mil pessoas abarrotaram o acanhado, para dizer o mínimo, Estádio Zinho de Oliveira na esperança de levar o Águia à fase final da Série C. Fez barulho, agitou, torceu, xingou. Sofreu - e muito, diga-se. O calor escorria pelos rostos do público, enquanto o time tentava, a todo preço, mas sem muita organização, empatar o jogo com o Luverdense-MT, resultado que lhe daria a vaga, uma vez que o Rio Branco vencia por 2 a 0 o Paysandu. Conseguiu no fim, 1 a 1, e a comemoração foi intensa.A festa em Marabá tinha tudo para se resumir ao âmbito esportivo. Mas época de eleição, no Brasil, é aquela coisa: não há evento que junte mais de meia dúzia de pessoas que não sirva de pretexto para cabos eleitorais sujarem tudo ao redor com panfletos de candidatos a prefeito, vereador e o que mais em disputa estiver. E os arredores do Zinho de Oliveira viraram uma praça eleitoral, no pior sentido da expressão. Se a panfletagem ficasse na base de folhetos e faixas, vá lá. Mas, para variar, não deu outra: a exaltação de cabos eleitorais suspeitos acabou transformando-se em pancadaria. A polícia teve de agir. E lançou mão de gás pimenta para conter os ânimos. Resultado: poucos feridos e alguns arrependidos por terem saído de casa.Dentro de campo, o Águia dominava as ações. Tinha mais a posse de bola. Tocava, tocava, tocava... Faltava "só" o ingrediente principal: precisão no chute a gol. A equipe, nervosa, falhava demais na finalização. No futebol - quem gosta, sabe - algumas máximas sempre se fazem presente. Em Marabá, foi o dia do "quem não faz, toma". Aos 35 do primeiro tempo, o goleirão Ângelo saiu precipitadamente para cortar cruzamento na área do Águia. Paulinho antecipou-se e abriu o placar.Foi o que bastou para que os torcedores trocassem os gritos de incentivo pelos de ofensa. Começaram a xingar tudo e todos. Pediam alterações no time. De repente, nada mais prestava. A alegria, mesmo, só voltou quando o Rio Branco fez dois gols no Paysandu. Com a derrota do grande rival paraense, bastava ao Águia empatar para seguir com o sonho de ir à Série B.A igualdade teimava em não vir. O tempo era adversário. O relógio andava rápido até que, aos 41, João Pedro, de cabeça, garantiu a festa em Marabá. O Paysandu ainda descontou no Acre, deixando os torcedores do Águia apreensivos, com radinhos no ouvido. O empate custava a vaga. Mas não veio, para delírio em Marabá. "O Águia agora é o Pará na Série C", vibrou o técnico/presidente João Galvão. "Vamos honrar o nome do nosso querido Estado."O Águia entra como azarão do octogonal final da Série C. Estréia contra o Guarani, no sábado, em Belém. Na fase decisiva, os oito classificados se enfrentam, em jogos de ida e volta. Os quatro melhores garantem o acesso. Além de Águia, Rio Branco e Guarani, único representante de São Paulo a se classificar, a fase conclusiva terá Duque de Caxias-RJ, Brasil-RS, Campinense-PB, Confiança-SE e Atlético-GO.

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