Ainda quero ver mais para crer

Do jeito que está, a Fórmula 1 depois de três corridas disputadas, temos de comemorar a liderança de Felipe Massa. A Ferrari é competitiva, mas não tem um carro tão veloz quanto a Red Bull e, em duas dessas três corridas, a equipe enfrentou problemas mecânicos - com o próprio Massa no Bahrein e com Alonso na Malásia. A situação do campeonato, provavelmente, não estaria assim se o carro de Vettel não tivesse falhado em duas provas seguidas e se a McLaren não tivesse embarcado no mesmo erro de avaliação da Ferrari na primeira parte do treino de classificação do GP da Malásia.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2010 | 00h00

Em 2008, quando Massa chegou a liderar o campeonato por uma corrida, foi quebrado um jejum de 15 anos sem um brasileiro comandando a classificação (desde Senna em 1993). Portanto, é a segunda vez na carreira que ele alcança a liderança do Mundial. Só que desta vez é ainda mais difícil manter a posição por causa da nova pontuação. O equilíbrio no momento é tão grande que entre os sete primeiros colocados há uma diferença de apenas 9 pontos. Portanto, qualquer um desses sete que vier a vencer a próxima corrida pode assumir a ponta. Uma vitória agora vale 25 pontos, enquanto a diferença de 9 pontos entre o primeiro e o sétimo na classificação pode ser desfeita com apenas um 5.º lugar na corrida (hoje vale 10 pontos). Resumindo: a única forma garantida de Massa manter a liderança sem depender dos outros é vencer na China.

Por esse aspecto, a nova pontuação está aprovada. Por outro lado, ela provoca uma injustiça histórica com grandes campeões que suaram para acumular pontos e suas marcas vão ser facilmente liquidadas com o tempo. Um exemplo disso é que Fernando Alonso já empatou com Ayrton Senna em 614 pontos na carreira. Tudo bem que Alonso tem menos corridas do que Senna (140 a 161) e, provavelmente, alcançaria os 614 pontos mesmo no sistema antigo. Mas demoraria mais para marcar os 37 pontos que somou em apenas duas provas (Bahrein e Australia). E olha que ele não marcou ponto na última. Barrichello, que tem 612 pontos e também vai superar a pontuação de Senna, foi o primeiro a mostrar essa injustiça histórica.

O campeonato vai bem. Se continuar assim, melhor ainda. Está claro que McLaren e Mercedes evoluíram e já começam a incomodar Red Bull e Ferrari. O problema é que, se olharmos para as pistas das próximas etapas, apenas em Mônaco o carro da Red Bull pode ser enfrentado de igual para igual. Nas pistas da China, Espanha e Turquia, a tendência é o RB-6 disparar. O objetivo das rivais é correr contra isso. Do contrário, antes de atingirmos a metade do campeonato, o alemão Sebastian Vettel já será o líder a ser perseguido pelos outros candidatos ao título.

Três primeiras corridas do ano com vitória de três equipes diferentes é algo que não ocorria desde 1990, quando Ayrton Senna (McLaren), Alain Prost (Ferrari) e Riccardo Patrese (Williams) foram os vencedores em Phoenix (EUA), Interlagos e Imola (San Marino). Neste ano as vencedoras são as mesmas Ferrari e McLaren, mais a Red Bull, que, definitivamente, alcançou seu lugar entre as grandes. Tudo bem que uma chuvinha fraca do início da corrida australiana e a chuva forte do treino que definiu o grid da Malásia ajudaram a embaralhar carro bom com carro ruim, e o resultado disso foi a realização de duas provas muito bem disputadas.

Mais alguns GPs. Por isso, eu ainda preciso de mais alguns GP"s bem disputados para me convencer de que a F-1 encontrou, finalmente, o rumo certo. Que bom seria ver isso acontecer de novo na China. E, depois, na Espanha, em Mônaco, na Turquia. Aí eu vou acreditar.

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